Decisão sobre futuro de usina deve sair hoje
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terça-feira, 03 de junho de 2008
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Em funcionamento há praticamente 67 anos, a Usina Central do Paraná, em Porecatu, vive hoje um dia que poderá influenciar diretamente seu futuro e o de cerca de três mil trabalhadores. Protagonista do desenvolvimento da região Norte do Estado, no final da década de 70, a empresa passou a ter seu nome envolvido em frequentes problemas trabalhistas que teriam como origem dívidas não pagas com os governos Federal, Estadual e Municipal. Após mais uma greve de funcionários por atraso de salários, a antiga idéia de intervir na empresa em função do acúmulo de dívidas voltou à pauta. A proposta de intervenção é tema de reunião, hoje, entre o governador Roberto Requião e prefeitos de quatro municípios diretamente afetados, Ministério Público do Trabalho e sindicalistas.
Fundada quase que simultaneamente com a cidade de Porecatu, em 1941, pelo proprietário de terras Ricardo Lunardelli, a usina passou para as mãos do Grupo Atalla em 1972. Em pouco tempo e com muito dinheiro, os paulistas transformaram a usina numa das maiores e mais modernas produtoras de açúcar e álcool da América Latina.
Em fevereiro de 1984, porém, reportagens da FOLHA já denunciavam a situação de completa miséria vivida por cerca de 2,2 mil trabalhadores, que estavam com três meses de salários atrasados, conforme informações da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Londrina. Relatório do Instituto de Terras e Cartografia (ITC) do Paraná indicava que pelo menos 40 mil pessoas viviam sob a influência econômica da usina.
Naquela época, já se questionavam as razões pelas quais o Grupo Atalla tinha empenhado seu patrimônio tantas vezes e, mesmo assim, as dívidas não eram executadas. O mesmo relatório do ITC apontava que o grupo era dono de mais de 49 mil hectares de terra em 10 municípios da região (sendo dois no Estado de São Paulo).
Segundo o ITC, os maiores credores do grupo eram o Banco de Desenvolvimento do Estado do Paraná (CR$ 14 Bilhões de Cruzeiros), Banestado (CR$ 10 Bilhões), Secretaria de Financias (CR$ 2,4 Bilhões). Naquela época, o Governo ameaçou uma execução e a divisão das terras entre os trabalhadores mas nada foi feito.
As dívidas do grupo continuaram sendo renegociadas - a última rolagem com o Estado aconteceu na gestão de Jaime Lerner - e, quase vinte e cinco anos depois, a idéia da intervenção voltou a ser apresentada como saída às repetidas crises. A proposta saiu de um encontro promovido semana passada entre Governo, Ministério Público do Trabalho, sindicalistas e Conselho Estadual do Trabalho (CET). ''Interessa a desapropriação das terras e que elas sejam passadas para os trabalhadores. Ou então para o Estado, credor das dívidas'', comentou o presidente do CET, Carlos Zimmer. Ele estima que o Grupo Atalla seja dono de 18 fazendas (cerca de 30 mil hectares).
Integrante do debate desde os anos 80 como sindicalista, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Indústrias de Alimentos, Celso Matos, disse que a reunião de hoje é ''a oportunidade mais clara dos últimos tempos'' para enfrentar a questão. ''Se não houver nenhuma definição, só resta vender o que tem aqui e cair fora'', finalizou.


