São Paulo - Equipe médica deve decidir hoje se o garoto de dois anos que está com 42 agulhas espalhadas pelo corpo passará ou não por cirurgia. O estado de saúde da criança é grave, mas estável. Internado na UTI pediátrica do Hospital Ana Nery, em Salvador, ele está consciente e respira sem auxílio de aparelhos.
Inicialmente, a criança passaria por uma cirurgia na manhã de ontem no Hospital do Oeste, em Barreiras (BA), onde permanecia internado desde a madrugada do último domingo. Mas uma avaliação médica constatou que ela tem agulhas no coração e, devido à gravidade do caso, precisou ser transferida para a Capital.
Anteriormente, uma das agulhas chegou a perfurar um dos pulmões, o que levou os médicos a inserirem um dreno no corpo da criança.
A Justiça da Bahia decretou ontem a prisão temporária dos três suspeitos de cometerem o crime. Entre eles está o padrasto da criança, Roberto Carlos Magalhães Lopes, que teria confessado sua participação na tortura.
O padrasto teve de ser encaminhado de Ibotirama (BA) para um município vizinho após ameaça de invasão da delegacia por manifestantes. Porém, por questões de segurança, a polícia não confirmou quando o tumulto ocorreu, tampouco informou o local para onde o suspeito foi transferido.
A suposta amante de Lopes - que nega envolvimento com o suspeito - e a dona do centro de rituais religiosos onde o menino teria sido torturado permanecem presas em Ibotirama. Ambas negam envolvimento com o crime.
A criança está internada desde o último domingo, quando foi levada ao hospital com dores abdominais e vômitos. O menino foi submetido a um exame de raio-x, quando foram localizadas as agulhas.
O suposto envolvimento do padrasto com rituais de quimbanda é a principal linha de investigação da delegacia de Ibotirama (BA) para tentar explicar como os objetos foram parar dentro do corpo da criança. A quimbanda é um tipo de magia negra relacionada a religiões de origem africana. (Com Agência Estado)

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