O advogado Márcio Thomaz Bastos, que representa a família da jornalista Sandra Gomide, classificou a prisão do jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves uma ‘‘vitória para a instrução criminal’’. Para Thomaz Bastos, o jornalista, que estava em uma clínica de repouso e foi transferido para o 77ºDP, em São Paulo, deve ficar preso até o julgamento.
O advogado defende a prisão do jornalista com dois argumentos: aplicação da lei penal, porque o jornalista estava com prisão preventiva decretada, e a conveniência da instrução criminal. No caso de conveniência, Thomaz Bastos destaca que, se o jornalista ficasse solto, ele poderia interferir na condução do processo, fazendo pressão para influir nas provas em seu favor.
Além disso Thomaz Bastos afirma que a prisão de Pimenta Neves é uma necessidade ‘‘porque ele, no seu interrogatório, gravado, manifestou claramente a idéia de fugir’’. Segundo o advogado, a intenção de fuga ficou evidente quando o diretor afirmou, no depoimento, que se tivesse premeditado matar Sandra Gomide não estaria mais no País.
O advogado vê neste caso a possibilidade de a Justiça fazer um julgamento exemplar. ‘‘Essa é uma oportunidade para a Justiça subir de patamar, fazendo um julgamento rápido’’, disse Thomaz Bastos, que em 1990 atuou na acusação ao fazendeiro Darly Alves da Silva e de seu filho, Darci Alves Pereira, responsáveis pelo assassinato do líder sindical e ecologista Chico Mendes. Os dois foram condernados a 19 anos de prisão.
O caso envolvendo Pimenta Neves deve ser tratado de forma exemplar, diz. ‘‘É o momento para acabar com a sensação de impunidade que paira sobre a sociedade’’, argumenta Thomaz Bastos. Para ele, a punição do jornalista servirá para a prevenção geral da sociedade e para as pessoas saberem que não se pode matar alguém pelas costas impunemente. ‘‘Ele ficar naquele hotel de luxo (a Clínica de Repouso Parque Julieta) dava uma sensação incrível de privilégio.’’ (AE)

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