São Paulo, 09 (AE) - Por 8 votos a 1, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) considerou hoje não-abusiva a greve que prejudicou 2,3 milhões de pessoas e determinou à Companhia do Metropolitano (Metrô) que pague até dia 20 uma antecipação de R$ 500,00 aos 7.400 funcionários da empresa. O TRT exigiu o retorno dos funcionários ao trabalho até as 22h de hoje, sob pena de multa diária de R$ 100 mil, a ser cobrada do Sindicato dos Metroviários.
Embora os metroviários tivessem decidido em assembléia que o metrô voltaria a funcionar às 21h, conforme determinação do TRT, as bilheterias e os portões da ala de embarque da Estação Tatuapé só abriram às 21h50. O atraso deixou alguns passageiros irritados.
"Estamos querendo voltar para casa, mas parece que o povo paga para ser humilhado", reclamava o motorista Paulo Bastos. Ele trabalha em Guarulhos e pretendia ir para o Jaçanã. De ônibus, Bastos calculava que só chegaria em aproximadamente duas horas.
Os seguranças do metrô informavam aos passageiros, que não paravam de chegar, que os trens já estavam no pátio de manobras e dentro de poucos minutos começariam a funcionar. "Os funcionários estão prontos para começar a jornada, mas a empresa alega que o Centro de Controle Operacional (CCO) ainda não liberou os trens", afirmou o segurança Adilson Barbosa. Ele estava na assembléia, pouco antes de vestir o uniforme e voltar ao trabalho.
O porteiro Milton Santos também estava impaciente. "Com essa demora vou perder o serviço". Ele trabalha das 22 às 6 horas no Jabaquara. Pela manhã, levou quatro horas e meia para chegar em sua casa, no Tatuapé.
O valor que o Metrô deve pagar aos funcionários corresponde à antecipação do repasse do Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Foi garantido aos funcionários o direito à estabilidade no emprego por 60 dias e o pagamento pelas horas não-trabalhadas durante a paralisação. A companhia estuda a possibilidade de entrar com recurso no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, ainda amanhã.
Uma comissão vai estudar o assunto em 60 até dias. Os R$ 500 00 pagos até o dia 20 serão descontados do valor definido na negociação. Caso o Metrô não cumpra a sua parte na decisão do TRT, terá uma multa diária correspondente a 5% de sua folha de pagamento.
A greve pegou de surpresa milhares de passageiros do metrô. O jeito foi enfrentar ônibus superlotados ou apelar para os lotações a fim de chegar ao trabalho. Segundo o diretor do Sindicato dos Metroviários de São Paulo Aparecido José da Silva, de 95% a 97% dos funcionários aderiram ao movimento. "Tivemos praticamente adesão total." O trabalho foi feito por apenas cinco supervisores em esquema de revezamento e quatro pessoas fazendo a segurança patrimonial", afirma.
Orelhões - Perto dos orelhões das estações de metrô, formavam-se filas de empregados querendo avisar os patrões de que se atrasariam. Em volta das bancas de jornais, a cena repetia-se, com pessoas lendo notícias sobre a greve. "Já avisei no serviço que não tem como ir", queixava-se o mecânico João Yamamoto, de 48 anos. "Se saio daqui de Itaquera (zona leste) para a Saúde (zona sul), vou demorar horas e depois não há como retornar." (Colaborou Glaucia Leal)

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