Rio, 10 (AE) - A decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), de suspender a licitação das 27 áreas de exploração, produção e desenvolvimento de petróleo e gás natural, pegou de surpresa o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, que soube da medida por meio de jornalistas. Ele estava no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, a caminho de Salvador, onde faria uma série de road-shows sobre o leilão, e mudou sua rota para Brasília. "Acho isso tudo muito estranho", comentou.
Ele lembrou que, há mais de um mês, a procuradora da ANP
Sonial Agel, esteve no TCU para explicar, passo a passo, o edital. "Os dados estão disponíveis na Internet há uma vida, com prazos de recursos, ninguém contestou e isto acontece agora, três dias úteis antes da licitação", protestou, referindo-se ao fato de ter tornado disponíveis, pela rede de computadores, todas as informações sobre o edital desde 30 de abril.
Ele considerou estranho também ter recebido, na quarta-feira, uma convovação assinada pelos senadores Ney Suassuna (PMDB-PB), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, e Pedro Simon (PMDB-RS), para prestar esclarecimentos sobre o processo. "Em nenhum ponto da lei está determinado que o Senado precisa ser consultado antes da licitação", lembrou.
As declarações sugerem que possa haver um motivo político na suspensão, que seria causada pela disputa travada entre os partidos aliados do governo, mas o diretor da ANP não fala diretamente a respeito. "Não sei o que está acontecendo", desconversou. "Não há nenhuma aberração no edital e, se houvesse, qualquer cidadão poderia ter questionado."
Ele ainda não sabe se há possibilidade de reformular o edital, como quer o TCU, e manter a data da licitação, mas acredita que um possível adiamento causaria muitos danos ao processo. "Se tiver de adiar, será muito complicado."
A licitação estava marcada para as próximas terça e quarta-feiras e atraiu o interesse de 38 empresas, quatro delas nacionais. A ANP iria leiloar áreas onde há indícios de petróleo
mas não a comprovação da existência das jazidas.
Companhias multinacionais consideradas gigantes do setor
como Shell, Exxon (Esso), Texaco, Mobil, Chevron e Elf estavam entre os candidatos na disputa pelas áreas.

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