Decisão do Copom não surpreende empresários
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2000
Por Isabel Dias de Aguiar e Vera Dantas 
São Paulo, 19 (AE) - A decisão do Conselho de Política Monetária (Copom), de manter a Selic estável, não surpreendeu os empresários. A atitude de cautela, segundo informam, é justificável, uma vez que a tendência de queda dos índices de inflação não está clara. "Existe ainda um risco de os preços do atacado contaminarem os do varejo e por isso, neste momento, não seria recomendável reduzir as taxas de juros", afirmou a diretor do Departamento de Estatística e Estudos Econômicos (Depecon), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Clarice Seibel.
Os empresários, segundo informam, estão frustrados em relação aos níveis das taxas de juros na ponta, isto é, oferecido às empresas e aos consumidores pelas instituições financeiras. Havia a expectativa de queda e o compromisso do Banco Central de vigiar o mercado. "Estamos aguardando a intervenção do BC para que os juros caiam", diz Clarice Seibel.
O diretor do Departamento de Economia da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, considera inviável um crescimento da economia de 4% ao ano, como pretende o governo, com as atuais taxas de juros. "O resultado da reunião do Copom foi frustrante, mas não surpreendeu porque o Banco Central tem sido conservador nas suas decisões", diz. A alternativa, segundo ele, seria uma nova redução nos compulsórios para baixar as taxas de juros para os consumidores e empresas e promover o crescimento econômico.
Ao resolver manter o juro em 19% e sem viés de baixa, o governo dá a entender, na avaliação de Solimeo, que está em dúvida com o comportamento da inflação. "Fica a impressão que o problema são os índices inflacionários", diz. Para ele a expectativa de alta dos juros nos Estados Unidos, no próximo mês
não é motivo para cautela. "O mercado já absorveu esta notícia." O economista Miguel Supico, da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, considera a atitude do Banco Central cautelosa, mas não acredita numa mudança de tendência de decréscimo das taxas nos próximos meses.
"Essas quedas, nos próximos meses devem reforçar o consumo que já começa a mostrar uma pequena reação de crescimento, embora ainda bastante lenta",diz.


