Decisão do CMN pode incrementar mercado de recebíveis
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2000
Por Soraya de Alencar e Vânia Cristino 
Brasília, 26 (AE) - O governo autorizou hoje os bancos a assumirem parte dos riscos dos créditos que têm a receber mas que vendem a outra empresa antes do vencimento. Com a medida, que foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o governo espera que o chamado mercado de recebíveis (créditos que vencem no futuro) vingue no Brasil. "Até agora este mercado não deslanchou", afirmou o diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo. Um recebível é qualquer crédito que a instituição tem a receber.
Pode ser uma prestação de um apartamento ou o pagamento de uma exportação, por exemplo. Já é permitido no Brasil que os bancos vendam estes créditos a uma empresa com um deságio. Este deságio varia conforme o prazo e a possibilidade de inadimplência do crédito. Somente os créditos do setor imobiliário, no entanto, é que têm sido negociados no mercado brasileiro. "Nos Estados Unidos o mercado de recebíveis imobiliários é maior que o de títulos públicos", disse o diretor.
Com a medida de hoje, o banco que vender o crédito vai poder assumir uma garantia de honrar uma parcela da inadimplência. Figueiredo explicou que a falta de garantia dos bancos levava as empresas a cobrarem um deságio muito alto na compra dos créditos. E isso inviabilizava os negócios. A partir da mudança ele acredita que o investidor vai ter mais confiança e aplicar mais dinheiro nos recebíveis. Este investidor poderá ser uma outra instituição, um fundo de pensão, um fundo de investimento ou uma empresa não financeira. "A vantagem é que estes créditos rendem mais que os títulos públicos", destacou o diretor do BC.
Corretoras - O CMN também aprovou hoje que duas corretoras estrangeiras atuem no País por meio da Internet. A Latinstocks Corporation, que tem sede em Grand Cayman, e a Patagon.com International Ltd. sediada nas Bahamas. Para ingressar no Brasil, a Patagon vai adquirir o controle acionário da Procap Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários S.A..


