Decisão de Roseana divide opinião de governadores
São Paulo, 17 (AE) - O anúncio feito pela governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), de que adotaria em seu Estado o piso salarial de US$ 100 para o funcionalismo público foi recebido com ressalvas por governadores de outros partidos. "Se o governo do Maranhão tem receita suficiente para isso, só tenho de cumprimentá-la, lembrando que aqui em São Paulo os ganhos do funcionalismo são muito maiores que os US$ 100", disse o governador Mário Covas (PSDB), em Praia Grande (SP).
Governadores do PFL elogiaram a idéia. O do Tocantins, Siqueira Campos, ressaltou que há três anos o menor salário no seu Estado é de R$ 240. "O mercado, para ser forte, deve ter trabalho e consumo", argumentou. "O PFL tem de adotar essa proposta", reforçou o do Amazonas, Amazonino Mendes, que também adota mínimo superior a US$ 100. O da Bahia, César Borges, fez coro: "O PFL tem responsabilidade social com o País." Segundo informou, em seu Estado, o mínimo é de R$ 204, somadas as vantagens. "O importante é estender isso para todos os trabalhadores."
O governador de Sergipe, Albano Franco (PSDB), explicou que terá dificuldade de elevar o mínimo em seu Estado, já que o gasto da receita com a folha já é de 64%. "É claro que essa proposta constrange e até entristece, o que é pior", disse. Já Garibaldi Alves (PMDB), do Rio Grande do Norte, disse que terá de "estudar a sugestão".
Críticas - O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), foi irônico: "No momento em que o ministro da Previdência
Waldeck Ornélas (PFL), começar a defender o mínimo de US$ 100, o PMDB vai engajar-se nessa proposta." No PT, a reação foi crítica. "É uma boa iniciativa; mas espanta ela não ter dado esse aumento antes", disse o líder do partido na Câmara, Aloizio Mercadante (SP).
O correligionário Olívio Dutra, governador do Rio Grande do Sul, evitou comentários. Mas aproveitou a chance para lembrar que em dezembro seu governo enviou à Assembléia Legislativa a proposta de aumentar o piso de R$ 161,60 para R$ 387, incluindo vale-alimentação. Não foi aprovada pela oposição, que hoje defende a elevação do salário mínimo.
Depois de participar hoje de reunião no Planalto para discutir mudanças na Lei de Responsabilidade Fiscal, o governador de Santa Catarina, Esperidião Amin (PPB), defendeu o valor de US$ 100 como pagamento mínimo, mas não como referência para salários. "Seria malandragem", disse, descartando a tese de adoção de pisos regionais. Para ele, todos os trabalhadores, até os aposentados, devem receber esse piso. "O rombo da Previdência não é resultado do pagamento do mínimo para 13 milhões de aposentados." Amin disse que em seu Estado nenhum servidor recebe menos de US$ 100. "Também defendo a cobrança de contribuição dos inativos, como já é feito desde 1962 em Santa Catarina."





