Brasília, 22 (AE) - O Palácio do Planalto viu, com alívio, o desligamento do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, do PMDB. Avalia que a conduta de oposição do governador ao presidente Fernando Henrique Cardoso estava sendo usada como instrumento de pressão pelos caciques do partido para obtenção de vantagens, como verbas e nomeações. O presidente nacional do PMDB, Jáder Barbalho, evitou polêmicas em torno da crise interna. "Entrar e sair de um partido é uma decisão pessoal e tem que ser respeitada", declarou Barbalho, por intermédio de sua assessoria.
Segundo fontes do Palácio do Planalto, Barbalho vinha manobrando politicamente Itamar Franco, sugerindo a possibilidade de o partido apoiar sua candidatura à sucessão de Fernando Henrique - provocando cisão na base de apoio partidário ao governo - para obter melhor tratamento do governo federal. Essas mesmas fontes analisam que Itamar percebeu a manobra e rompeu com o partido, decisão bem recebida entre os mais próximos de Fernando Henrique.
O líder do partido na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima, não recebeu com surpresa a decisão de Itamar Franco e tratou o assunto com desdém. "Boa viagem para ele", afirmou Geddel dizendo que passaria o final do ano "tão tranquilo quanto antes". O deputado deixou claro, entretando, que, se depender dele, a iniciativa do governador não tem volta. "O partido não é a casa da sogra", afirmou. Geddel diz não lamentar sequer a perda de um provável nome para representar o partido nas eleições presidenciais, em 2002.
"Ele (Itamar) faria falta se estivesse militando no partido; mas se é na base do me dá o que eu quero ou eu bato o pé, não é possível", afirmou. "Temos outros nomes", disse o líder do PMDB, citando os do senador José Sarney (AP) e do presidente da Câmara, Michel Temer (SP). "Ele saiu e outros entrarão", ironizou.
"O governador é uma grande figura; é adulto e sabe o que faz", reagiu o presidente da Câmara. "O PMDB é um partido de diversidades, mas estamos juntos na alegria e na tristeza", frisou, no entanto, defendendo a unidade, mesmo diante de uma eventual crise. Reunião - Na primeira quinzena de fevereiro, Brasília vai sediar uma reunião do conselho político do PMDB, formado por presidentes de diretórios Estaduais, ex e atuais presidentes do partido, ex e atuais líderes na Câmara e Senado, em um total de 58 pessoas. A reunião teria sido combinada para atender à sugestão do PMDB mineiro de que partido convocasse uma convenção extraordinária. "Foram feitas consultas e a executiva nacional se reuniu na semana retrasada, decidindo pela convocação do conselho político", contou um assessor do partido. A reunião deverá acontecer, independente da decisão do governador mineiro.
O presidente do PT, José Dirceu (SP) disse ter conversado longamente, por telefone, com Itamar Franco ontem. Segundo Dirceu, Itamar não se mostrou interessado em discutir sua eventual ligação a um outro partido. "Mas ele adiantou que manterá a aliança com o PT, em Minas", disse o deputado.

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