Decisão de governadores irrita FHC e encontro pode ser cancelado
Brasília, 05 (AE) - Irritado com as condições impostas pelos governadores de oposição na Carta de Porto Alegre, o presidente Fernando Henrique Cardoso poderá cancelar o café da manhã marcado para a próxima terça-feira no Palácio da Alvorada. "Cabe indagar se existe real interesse por uma conversa franca e produtiva ou apenas o propósito de transformar o encontro programado em palco político", disse Fernando Henrique, em nota oficial divulgada no início da noite pelo porta-voz, Sergio Amaral.
O presidente "estranhou" a divulgação antecipada e pública dos temas do encontro e "lamentou" que os governadores insistam em propor como "agenda exclusiva" a renegociação das dívidas dos Estados. "O governo federal já disse e reitera que não pode solicitar aos contribuintes um sacrifício adicional, porque alguns não se mostram dispostos a fazer o esforço que todos, União, Estados e Municípios, deveriam realizar de modo compartilhado, para pôr suas contas em ordem, preservar os ganhos do real e impedir a volta da inflação."
Após ler a nota, o porta-voz foi evasivo quando perguntado se Fernando Henrique desmarcaria a audiência. "Esta questão está em aberto", disse. "O presidente continua aberto ao diálogo, mas o encontro só se justificaria se movido por um genuíno espírito de entendimento. Não se pode aceitar a tentativa de corroer as bases de sustentação do Real, conquista do povo brasileiro, a qualquer pretexto."
DINHEIRO - O secretário de Assuntos Federativos da Presidência, José Abraão, considera que, ao estabelecer as condições na Carta de Porto Alegre, os governadores optaram pelo confronto e não pela busca de soluções. "São propostas absurdas e inaceitáveis que mais parecem um pedido indireto de cancelamento da audiência", disse o secretário.
Para Abraão, a carta "distancia" os governadores de oposição do presidente. Responsável pelo trabalho de articulação dos encontros entre o presidente e os governadores, Abraão mostrava-se irritado com a decisão dos governadores. "Depois de todo o empenho do presidente, fica claro que desde o início a intenção era outra: usar a realidade de dificuldades que atinge os Estados e o País para fazer política", declarou.
Segundo Abraão, Fernando Henrique determinou que sua equipe econômica encontre alternativas - como a flexibilização da Lei Kandir - para ajudar os Estados. "Mas é preciso que os Estados diminuam o custo da máquina administrativa para não ter que fazer nova renegociação de novo."





