Decisão argentina sobre salvaguardas pode ser passageira
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quinta-feira, 29 de julho de 1999
Por Vladimir Goitia (assinatura obrigatória) 
São Paulo, 30 (AE) - A decisão da Argentina, de excluir os seus parceiros no Mercosul (Brasil, Paraguai e Uruguai) das salvaguardas adotadas contra a importação de produtos desses países, parece não ser definitiva. O governo argentino deve tentar encontrar uma outra alternativa para a Resolução 911 que impõe salvaguardas para todos os países da Aladi (Associação Latino-Americana de Integração).
Nos bastidores da diplomacia argentina comenta-se que "houve uma falta de entrosamento entre os funcionários do governo Menem". O secretário da presidência, Alberto Kohan, por exemplo
teria ligado para o ministro Luis Felipe Lampreia e informado que o presidente Carlos Menem havia tomado a decisão de revogar a medida protecionista - assinada no início desta semana pelo ministro Roque Fernández - no trajeto entre os Estados Unidos e Brasília.
"A atitude de Kohan fragilizou a nossa estratégia", declarou uma fonte da chancelaria argentina ao jornal "Clarín". Dessa forma, Di Tella teve, então, "de rever a sua estratégia para conseguir que a reunião entre FHC e Menem terminasse com a concessão argentina".
A princípio, as negociações para "corrigir as distorções no fluxo comercial entre os dois países", a partir de quarta-feira em Montevidéu, devem servir apenas como subterfúgio para tranquilizar os exacerbados ânimos dos industrias argentinos, que não gostaram nem um pouco da decisão do presidente Menem.
A União Industrial Argentina (UIA) considerou o acordo um recuo de posição do governo argentino. "Trata-se de um grande retrocesso e confirma que, para o Brasil, a única regra válida é a lei do mais forte", disse o secretário da entidade, Ignácio De Mandiguren, à agência de notícias DyN. Os empresários argentinos acreditam que o Brasil deveria ter recorrido ao Mecanismo de Solução de Controvérsias, criado pelo Protocolo de Brasília.
O secretário executivo da Associação de Empresas Brasileiras do Mercosul (Adebim), Michel Alaby, acredita que, enquanto não houver uma coordenação macroeconômica dos quatro países, os conflitos comerciais vão se "eternizar". Para ele, é de extrema urgência a fixação de regras claras e um sistema de consultas para chegar a um denominador comum. "O Tratado está falho, principalmente no que se refere aos desequilíbrios cambiais", disse Alaby.
De acordo com ele, seria necessário a introdução de uma cláusula para aplicação de algum tipo de mecanismo de defesa comercial em caso de surgirem problemas cambiais em alguns dos países membros.
Na quinta-feira, logo depois do encontro, que se estendeu as 22h30 até quase 1h da madrugada, o ministro Luis Felipe Lampreia anunciou que "o presidente Menem se comprometia a excluir os países do Mercosul da medida que permitia travar o ingresso de produtos ao mercado argentino". O ministros confirmou ainda que o Grupo Mercado Comum, órgão executivo do Mercosul, vai reunir-se na quarta-feira da próxima semana em Montevidéu para retomar as conversações que permitam resolver os desequilíbrios comercias.
Dois dias depois, acrescentou Lampreia, será realizada uma reunião (extraordinária) do Conselho do Mercosul, do qual fazem parte os ministros de Economia e de Relações Exteriores dos quatro países. Por sua vez, o chanceler argentino, Guido Di Tella, disse que as relações com o Brasil têm uma importância central para a Argentina. "Não é apenas uma frase circunstancial", afirmou Di Tella.


