Decepção e angústia fazem o coração sofrer
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segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Quem já sofreu uma decepção ou a perda de um ente querido sabe bem a angústia que isso causa. Mas, essa ''dor no coração'', em alguns casos, pode ser bem real e sinal de uma doença. É a chamada síndrome do coração partido, que tem sintomas de um enfarte, mas sem que a artéria que leva sangue ao coração esteja bloqueada por placas de gordura.
A doença é rara, atinge principalmente mulheres, e, segundo o cardiologista Antonio Izidoro Furlan, de Londrina, tem como principal causa o estresse de eventos marcantes, como a morte de um parente ou alguém querido, uma traição, uma falência. ''Nesses casos a pessoa está submetida a um estresse emocional, um sofrimento da alma muito grande. Sob estresse há liberação de adrenalina e endorfina, substâncias que, em excesso, causam problemas, e acabam sendo a causa'', explica.
O que acontece nessa síndrome, segundo o médico, é uma contração vigorosa em todo o trajeto de uma das artérias, que levam sangue ao coração. Esse espasmo pode durar de alguns segundos até alguns minutos. ''E, aí, a lesão muscular vai depender da duração desse espasmo''.
É possível comparar essa contração a uma cólica, menstrual ou intestinal. A cólica é caracterizada por uma contração vigorosa e intensa de musculatura, que também está presente nas paredes das artérias. A diferença é que, na cólica intestinal ou menstrual, fora a dor, não há uma consequência maior. ''Já o espasmo arterial, dificulta e pode até cessar o fluxo sanguíneo em determinada coronária'', explica.
E isso, sim, causa o enfarte, necrose celular por falta de oxigênio. ''Com uma causa funcional, não anatômica, mas um enfarte'', ressalta o cardiologista, lembrando que com a obstrução do fluxo sanguíneo, são cerca de seis horas até o músculo cardíaco necrosar totalmente. Daí a importância do socorro rápido.
Mesmo assim, a recuperação é variável nesse período de seis horas. ''Não é uma coisa matemática. Às vezes, o músculo pode ter 50% de necrose na primeira meia hora. Mas, se conseguir desobstruir em uma hora, com certeza é muito melhor do que em uma hora e meia, ou duas, ou três''.
Apesar da síndrome ser mais frequente nas mulheres com idade acima dos 60 anos, pode acontecer em qualquer idade. E nos jovens pode ser mais grave, pois estes não tem tantas colaterais, as comunicações entre a coronária esquerda e a direita, que compensam o fluxo sanguíneo se uma das artérias está com a passagem bloqueada. ''Com a idade a gente vai desenvolvendo essas colaterais, que, por contrafluxo, conseguem suprir a passagem do sangue''.
A síndrome do coração partido, segundo o médico, é um problema sério para tratar, porque apesar das medicações ajudarem bastante, não são garantia de que não vai acontecer novo espasmo. Esse tipo de problema, ressalta, tem um tratamento que depende muito mais do paciente que do médico. ''Todo arsenal terapêutico que existe não funciona se a pessoa não mudar seu estilo de vida, se não repensar sua vida. Não adianta dar remédio, se a pessoa continua trabalhando no mesmo ritmo, não descansando, não fazendo exercicio, comendo mal, não tendo lazer'', diz.
O médico lembra que a qualidade de vida também é uma forma de prevenir a doença. ''A reação que cada um tem diante do inesperado é muito individual, mas a questão do estilo de vida conta bastante''.


