Década de 2020 tem o dobro de desastres ligados às chuvas
Pesquisa mostrou também que oito de cada dez municípios brasileiros foram afetados por tempestades
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de julho de 2025
Pesquisa mostrou também que oito de cada dez municípios brasileiros foram afetados por tempestades
Lucas Lacerda/ Folhapress 

SÃO PAULO, SP - O Brasil registrou, apenas nos três primeiros anos da década atual, 1.885 desastres ligados a chuvas, ante 899 no período de 2010 a 2019. Os números tratam da média de casos a cada ano.
Oito de cada dez municípios brasileiros foram afetados no período mais recente, sendo 4.645 no total —328 a mais do que na década anterior inteira. A média anual de 3,2 milhões de pessoas afetadas no Brasil até 2023 ainda fica abaixo do período de 2010 a 2019, que teve 3,8 milhões.
Quando considerados os afetados pelas chuvas no Rio Grande do Sul em 2024, a média salta para 6,8 milhões.
Os dados são do estudo Temporada das Águas: O Aumento das Chuvas Extremas, da série Brasil em Transformação, desenvolvido pela Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica. Os dados são do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Em todo o período analisado, de 1991 a 2023, foram 4.247 mortes. O número representa 86% do total de 4.923 óbitos relacionados a desastres climáticos no país.
Os registros de danos para as cidades também aumentaram, com média anual de 4,9 milhões de unidades afetadas de 2020 a 2023, ante 501,2 mil de 2010 a 2019. O cálculo considera danos registrados em unidades habitacionais, de saúde e ensino e obras de infraestrutura pública, entre outros.
Nove de cada dez foram causados em obras de infraestrutura pública em todo o período analisado, iniciado em 1995.
Economia
A conta também ficou pior para prejuízos econômicos causados por esses eventos. A média anual de 2020 a 2023 ficou em R$ 10,76 bilhões, em valores corrigidos, com alta de 58% na comparação com a década de 2010, que chegou a R$ 6,81 bilhões.
O setor privado, segundo o estudo, representa 83% das perdas econômicas na análise iniciada em 1995. Os destaques são os segmentos da agricultura (47%) e do comércio (30%).
Para o professor Ronaldo Christofoletti, do Instituto do Mar da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), os dados evidenciam danos causados pelo aquecimento global, ainda não devidamente enfrentado na sociedade.
O que se desenha para o futuro gera outro alerta. Mudanças nos regimes de chuva até 2100 podem aumentar a precipitação no Sul e no Sudeste em 30%, e reduzi-la no Norte e no Nordeste em 40%, segundo o professor.


