Década a década de planejamento urbano
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domingo, 27 de maio de 2007
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Não é novidade que Londrina contou com planejamento urbano na época da colonização pelos ingleses da Companhia de Terras. Para o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), João Baptista Bortolotti, no entanto, o estabelecimento de diretrizes para o desenvolvimento é muito mais antigo. Essa é a tese defendida por ele no livro ''Planejar é Preciso - Memórias do Planejamento Urbano de Londrina'', lançado na noite de quinta-feira.
A obra faz um diagnóstico do planejamento urbano década a década. Só que a avaliação abrange uma época muito anterior à da fundação da cidade. Um exemplo é a construção da Estrada de Peabiru, que ligava São Paulo à região dos Andes. As ações dos jesuítas, e depois dos Bandeirantes, também levaram em conta interesses estratégicos e o planejamento.
Segundo Bortolotti, o próprio surgimento do município de Jataizinho, o mais antigo da região, levou em conta a localização estratégica, uma vez que o país encontrava-se em plena Guerra do Paraguai.
Uma hipótese amplamente aceita é a que afirma que a colonização inglesa favoreceu o desenvolvimento de Londrina porque os loteamentos privilegiavam as pequenas propriedades. De acordo com o autor, a opção por lotes menores foi feita para viabilizar a construção de ferrovias, o que era um negócio rentável para os imigrantes.
''A especialidade dos ingleses era construir estradas de ferro. Para isso, era necessário o surgimento de cidades para movimentar o transporte de passageiros. E é claro que os ingleses também tinham um excelente senso de organização, além da tecnologia, do dinheiro e de uma ramificação de alcance mundial'', defende Bortolotti, que veio do interior paulista para Londrina em 1941.
E foi a propaganda divulgada mundo afora pelos ingleses, aliada à qualidade da terra vermelha, que trouxe imigrantes de diversas partes do mundo para Londrina.
Após a fundação em 1934, foi aprovada a Legislação de Intervenções Urbanas, que entre outras normatizações, proibia a construção de casas com cobertura de palha na jovem cidade. Outras ações foram colocadas em prática anos depois. No início da década de 1940, foram elaborados os planos de Intervenção, que disciplinava a criação de novos loteamentos, e Viário.
Em 1968, foi aprovado o primeiro Plano Diretor da cidade. Nessa época, foram criadas a Companhia de Desenvolvimento e a Secretaria Municipal de Planejamento. A política de preservação de fundos de vale começou nesse período.
A reformulação do Plano Diretor só se tornou realidade 30 anos depois, época em que foram promovidas mudanças nas leis de parcelamento e zoneamento urbano. E é esse plano que está sendo reformulado agora (ver box).
O estudioso conclui que o planejamento urbano em Londrina e a participação da comunidade tem passado por altos e baixos. E que envolvimento hoje não é tão efetivo quanto em outros tempos. Fenômeno justificado, na visão de Bortolotti, pela violência.
''A violência está no trânsito, no bairro, dentro de casa. As pessoas de todas as cidades brasileiras estão com medo da violência. Aqui foi construída uma cidade conflituosa. E planejar é tentar minimizar esses conflitos. Mas pensar o futuro é difícil quando há um problema do presente tão urgente quanto a violência'', decreta.


