As mudanças na legislação, a cobrança pelo uso da água e o investimento de US$ 26 milhões nas pesquisas destinadas ao Aquífero Guarani foram os principais assuntos tratados durante os cinco dias 4º Diálogo Interamericano de Gerenciamento de Águas. Apesar de discutir problemas ligados a recursos hídricos, não houve divulgação de projetos concretos para resolver o problema de 88% da população brasileira (105,5 milhões de pessoas), que continuam sem tratamento de esgoto.

Para os organizadores do evento, Raymundo Garrido (Secretaria Nacional de Recursos Hídricos - SNRH) e Richard Meganck (Organização dos Estados Americanos - OEA), o número de participantes bastante superior ao último encontro, demonstrou a mobilização mundial dos governos. ''No encontro do Panamá (1999), tivemos 460 congressistas. Este ano foram mais de mil pessoas interessadas em intercambiar conhecimentos e experiências'', comentou Meganck. Ele lembrou que o manejo do Gerenciamento Hídrico de alguns países mudaram para melhor nos últimos anos, graças às discussões realizadas em encontros anteriores.

Para Garrido, a troca permanente de informações é importante para ajudar a solucionar os problemas de cada país, principalmente o Brasil. ''Não posso dizer que a água está ficando mais limpa depois destes encontros, mas garanto que a velocidade com que ela fica suja está diminuindo'', filosofou Garrido, durante o encerramento do encontro.

Sobre os problemas sociais provocados pela falta d'água no país, o secretário relembrou os números negativos e comentou que o País deverá investir -a longo prazo- US$ 40 bilhões referentes ao déficit no saneamento básico nacional. Seriam necessário US$ 2,7 milhões aplicados todos os anos até 2016.

O 4º Diálogo contou com representantes dos 35 países-membros da OEA e ainda outros dez enviados de todo o mundo. Entre eles estava o secretário do 3º Fórum Mundial da Água, previsto para 2003 no Japão. Kenzo Hiroki comentou que ''mensageiros da água'' estão sendo enviados às regiões mais remotas do mundo, colhendo informações, pedidos, críticas e sugestões sobre os recursos hídricos. ''Pretendemos reunir 200 mil depoimentos até o início do Fórum. Este número deve ser suficiente para mobilizar os governos mundiais'', disse Hiroki.

Uma Feira Internacional de Recursos Hídricos também marcou a realização do encontro em Foz. Em 1,2 mil metros quadrados, 68 expositores apresentaram produtos e seviços aos congressistas. Até a Petrobras, considerada a maior poluidora do país dos últimos dois anos, mostrou seus projetos ambientais.

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