O argentino Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz de 1980, considera que discussões como a do Tribunal Internacional dos Crimes sobre os Latifúndios, ocorrido anteontem, em Curitiba, podem ajudar a mudar a visão materialista da sociedade. Para Esquivel, de 69 anos, uma força antagônica à globalização está surgindo lentamente. ‘‘A mundialização, que engloba a solidariedade, a ajuda e o respeito, está em movimentos populares, como dos sem-terra, que busca Justiça e paz no campo’’, afirmou.
Segundo ele, o grande desafio é canalizar a força contrária a globalização, para que haja uma mudança mundial sem traumas. ‘‘A curto prazo a tendência é que os conflitos se ampliem, em função da exclusão de pessoas’’, disse. Para ele, os pobres estão ficando fora do eixo da sociedade, que é comandada pelo dinheiro. ‘‘Na globalização, tudo tem preço, mas nada tem valor’’, afirmou.
No entanto, Esquivel alertou que qualquer mudança deve surgir como uma proposta da sociedade e não de governos. ‘‘Nossos governo não tem mais poder para decidir. Eles apenas comandam e gerenciam crises’’, afirmou. Segundo ele, há pressões dos países ricos em manter o status quo. ‘‘Nossos governos financiam os déficits dos ricos, além de serem obrigados a pedir autorização do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial para tudo’’, afirmou.
Para Esquivel, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é o mais expressivo movimento popular da atualidade mundial. ‘‘É preciso que a luta pela terra seja constante, até que se realize a reforma agrária’’, afirmou o ganhador do Prêmio Nobel.
Esquivel adverte, no entanto, que toda essa transformação depende da educação principalmente dos jovens. O argentino, que atua na luta dos direitos humanos há 39 anos, considera importante que a sociedade deixe de ser mercado. ‘‘É preciso resgatar a solidariedade e Justiça, sem eles não há um mundo humano’’, finalizou. (Israel Reinstein)

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