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Debate foca Educação no cenário pós-pandemia

Para especialistas, avanço da Covid acelerou processos que serão irreversíveis, como a utilização da tecnologia

Lucas Catanho - Especial para a FOLHA
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA

O Grupo FOLHA promove, na próxima quarta-feira (13), o quinto debate das Rodadas de Conteúdos. Desta vez, o tema em questão será as inovações e relações na Educação no cenário pós-pandemia.


 

Debate foca Educação no cenário pós-pandemia
iStock
 


A mediação ficará a cargo de Lucas Vieira de Araujo, professor do Departamento de Comunicação da UEL (Universidade Estadual de Londrina), pós-doutorando da USP (Universidade de São Paulo) e colunista de inovação e empreendedorismo da FOLHA.


“Acredito que, quando as restrições forem abolidas, alguns cursos e instituições vão manter parte da carga horária no sistema híbrido. Na UEL, onde sou docente em vários cursos e departamentos, já vislumbro um movimento nesse sentido”, destaca.


O docente pondera, no entanto, que é preciso avaliar com bastante cuidado os tipos de tecnologia que serão utilizados no período de pós-pandemia. As tecnologias que permitem as videoconferências, por exemplo, são apenas um tipo de ferramenta. “Outras ferramentas precisam ser incorporadas”, pontua.


O docente toma como exemplo um software que já faz parte do seu cotidiano. Antes da pandemia, os alunos tinham enorme resistência, então o uso por parte do professor era muito esporádico. Com o distanciamento social, a utilização da ferramenta foi intensificada.


O software norte-americano de uso gratuito conta com uma série de funcionalidades, de maneira que o docente passa exercícios e avaliações e consegue monitorar em tempo real o desempenho dos estudantes. “É um software muito intuitivo, de maneira que hoje os alunos me dão um feedback muito positivo sobre a ferramenta.”


A respeito do legado pós-pandemia, Araujo entende que a questão cultural está muito relacionada a esse aspecto. “Os dois lados, docentes e alunos, precisam estar dispostos a mudar.”


O docente acredita ser possível praticar um bom ensino universitário utilizando-se de ferramentas de educação a distância, mas em determinadas circunstâncias. “Disciplinas com conteúdo essencialmente teórico têm maior predisposição para a utilização de ferramentas de ensino remoto, sendo possível trabalhar as questões de maneira mais fluida.”


O governador Ratinho Junior sancionou, na semana passada, a lei que institui o homeschooling no Paraná. Com a sanção, a modalidade passa a ser permitida, de maneira que a responsabilidade pela educação fica a cargo dos pais ou responsáveis, com supervisão e avaliação periódica da aprendizagem por órgãos de ensino.


 

Debate foca Educação no cenário pós-pandemia
Folha Arte
 


DECISÕES


Araujo entende que o conteúdo a ser tratado no debate poderá ser levado para instâncias decisórias nas quais este assunto já está em discussão. “São governos, Conselhos de Educação, de Ciência e Tecnologia. Para termos um ensino de vanguarda, penso que as ações devem ser colocadas em prática por meio de tomadas de decisão rápidas”, conclui.


Os painelistas do quinto debate das Rodadas de Conteúdos serão Maria Fernanda Suss, coordenadora de inovação pedagógica do Grupo Positivo; a deputada federal Luísa Canziani, membro titular da Comissão de Educação e subcoordenadora da Comissão de Acompanhamento dos Trabalhos do MEC da Câmara dos Deputados; e Rossieli Soares da Silva, secretário da Educação do Estado de São Paulo e ex-ministro da Educação. 


QUEBRA


A gerente-geral do Centro de Inovação Pedagógica, Pesquisa e Desenvolvimento dos colégios do Grupo Positivo, Maria Fernanda Suss, relembra que o primeiro impacto da pandemia foi “quebrar” os muros da escola. 


Em duas semanas, o colégio conseguiu colocar em funcionamento uma plataforma para viabilizar o ensino a distância. “A relação família-escola mudou, a família começou a participar, de maneira que os pais também entraram nas salas de aula. Estabeleceu-se uma nova relação na Educação, com participação mais efetiva dos familiares. Hoje estamos em um momento de reorganização, de maneira que as famílias assumiram um outro papel, de monitoramento”, pontua.


Atualmente, quase 100% dos alunos retornaram às aulas presenciais nas 14 escolas do Grupo Positivo. A exceção fica para estudantes cujas famílias não se sentem seguras ainda ou casos de alunos ou de familiares com Covid.


“A relação do professor com a aprendizagem também mudou, de maneira que o aprender não acontece apenas na sala de aula. Os professores revisitaram as suas práticas e enxergaram outras oportunidades de aprendizagem, sempre colocando o aluno no centro do processo”, diz.


Antes da pandemia, a escola já promovia a formação de docentes via remota, o que auxiliou no processo para implantação do ensino remoto de maneira mais ágil. 


Segundo Suss, a plataforma educacional que começou a ser utilizada pelos alunos em decorrência da pandemia continua nas aulas presenciais e deverá permanecer no período pós-pandemia. “É uma ferramenta para realização de avaliações ou exercícios que coleta evidências personalizadas, além de possibilitar os trabalhos e pesquisas em grupo”, conclui.


IRREVERSÍVEIS


A deputada federal Luísa Canziani entende que a pandemia acelerou alguns processos que serão irreversíveis. “O principal deles é a utilização da tecnologia. É um processo sem volta e, portanto, temos que nos preparar para isso, tanto na capacitação de professores e servidores da Educação quanto na disponibilidade de equipamentos e de internet para os alunos.” 


Canziani faz parte do Grupo de Trabalho que acompanha o edital de licitação da tecnologia 5G. Ela comenta que foi possível garantir, no leilão de algumas faixas, projetos de conectividade de escolas públicas de educação básica, com a qualidade e velocidade necessárias para o uso pedagógico das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) nas atividades educacionais regulamentadas pela Política de Inovação de Educação Conectada. 


“A ampliação da conectividade nos municípios e na zona rural vai facilitar o acesso dos usuários”, pontuou. O leilão está marcado para o dia 4 de novembro.


A deputada cita a implementação de algumas ações em nível federal, como a modernização do ensino médio e a valorização do ensino profissional e tecnológico. “Apesar desses avanços, é muito triste perceber o quanto a pandemia ‘deitou por terra’ nossos esforços. A região da América Latina e do Caribe foi a mais afetada por fechamentos de escolas em todo o mundo. Mesmo agora, muitas escolas no Brasil ainda não retomaram atividades presenciais contínuas.” 


A deputada acrescenta que os prejuízos ocasionados por quase dois anos de ruptura do vínculo entre alunos e escolas ainda serão medidos. “Apenas quando o funcionamento das escolas voltar ao ritmo pré-pandemia é que se poderá medir com precisão o tamanho das perdas de aprendizagem e até mesmo da evasão de estudantes decorrentes desta crise”, concluiu.


FUTURO


Ao todo, as Rodadas de Conteúdos realizarão seis encontros com os principais empresários, especialistas e formadores de opinião debatendo o futuro da nossa região.

 

Debate foca Educação no cenário pós-pandemia
 


Os debates pretendem trazer rico conteúdo, sempre com transmissão ao vivo pelas redes sociais da FOLHA e pelo YouTube, a partir das 19h. A programação se estende até 10 novembro, quando o tema em questão será sobre as perspectivas do empreendedorismo para 2022.

 

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