Debate entre legistas derruba tese de que Suzana se suicidou
Agência Globo
Os peritos que auxiliam o promotor de Justiça Luiz Vasconcelos na nova investigação sobre a morte de Paulo César Farias saíram do debate, ontem de madrugada, convencidos de que o laudo do legista Badan Palhares não se sustenta e que, portanto, a tese de que Suzana Marcolina se suicidou após matar PC é frágil.
Mas o legista Daniel Munhoz, que defende a tese de duplo homicídio, não conseguiu apresentar qualquer evidência de que tenha entrado uma terceira pessoa no quarto onde PC e a namorada foram mortos em junho 96. Uma das contradições do laudo de Badan apontadas ontem é o fato de não terem sido encontrados bário, chumbo e antimônio nas mãos de Suzana, acusada de disparar dois tiros em PC.
É muito pequeno o percentual de suicidas que não encosta a arma no próprio corpo ou que não têm esses elementos químicos na mão. Não há elementos suficientes para sustentar a tese de suicídio, opinou José Geraldo de Freitas Drumond, professor de medicina legal da Universidade Federal de Montes Claros (MG), um dos peritos da equipe convocada pelo promotor.
Badan admitiu essas falhas em seu laudo, mas continua acreditando na sua tese. Nenhuma dessas falhas acaba comprometendo globalmente o laudo, disse o legista. Em três anos, a única falha admitida por Palhares era o esquecimento de incluir a altura de Suzana no primeiro laudo sobre as mortes.
Agora, os peritos das Universidades Federais do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais e de São Paulo têm até o fim de julho para emitir seus pareceres. A partir daí, o promotor pretende dar sua palavra final sobre o caso. Ele disse que pedirá o inquérito de volta porque, segundo ele, não há mais sentido de a polícia continuar investigando. Ele acha que o debate entre os peritos acabou com as dúvidas. Os delegados Alcides Andrade e Antônio Carlos de Azevedo Lessa, que indiciaram os quatro seguranças de PC como co-autores do crime, não gostaram da decisão do promotor.





