A maior parte dos casos de cegueira - no Brasil são 1,2 milhão de cegos - é resultado de doenças não tratadas. Mas com alguns cuidados simples é possível proteger os olhos ao longo da vida. O grande desafio dos especialistas é diagnosticar precocemente doenças como glaucoma e catarata, antes que lesões irreversíveis tomem conta dos olhos.
Os cuidados, segundo o oftalmologista Gildo Fujii, de Londrina, devem começar na infância. Ele explica que nos primeiros anos de vida é quando se desenvolvem os canais da visão. Problemas que coloquem em risco esse desenvolvimento podem causar cegueira. Por isso, ressalta, as mães devem estar atentas a qualquer alteração suspeita e procurar logo um oftalmologista.
Bebês prematuros, por exemplo, devem passar por um exame oftalmológico ainda no berçário. Fujii explica que a prevalência da chamada retinopatia da prematuridade nessa situação é alta. E que se a doença não for tratada precocemente pode causar cegueira irreversível. ''O intervalo para tratamento é pequeno, de algumas semanas, mas quando o diagnóstico é precoce, há 100% de chance de cura'', ressalta.
Outra observação que as mães devem fazer é se as crianças tem olhos do mesmo tamanho e coloração. Muita diferença no tamanho e na coloração podem indicar glaucoma congênito. A doença é mais comum em pessoas com mais de 40 anos, mas também pode acometer os mais jovens. Segundo o oftalmologista, o glaucoma é uma doença relacionada a pressão intraocular, normalmente uma pressão alta, que danifica o nervo ótico. O processo de degeneração leva à perda gradativa do campo visual, que vai afunilando.
Nas fotografias é importante observar se a pupila da criança, a famosa ''menina dos olhos'', está esbranquiçada. O normal, explica o especialista, é que os olhos fiquem vermelhos quando bate o flash. A área esbranquiçada é indício da presença de um tumor ocular, o retinoblastoma.
Um olho torto, para fora ou para dentro, também é sinal de que algo errado está acontecendo, como a falta de balanço muscular na região. ''Na maioria dos casos, se não tratado, pode levar a perda permanente de um dos olhos. Como um dos olhos está torto, o cérebro não entende a informação e 'apaga' o olho'', alerta o médico, explicando que hoje existem cirurgias capazes de alinhar o olho.
Fujii ressalta que não há idade para levar crianças ao oftalmologista. A recomendação é que nos primeiros dois anos de vida, a criança passe por pelo menos uma consulta, para descartar problemas mais sérios. E no início da fase escolar também é necessário pelo menos uma consulta. ''Crianças também podem precisar de óculos, e não enxergar bem pode afetar seu desempenho escolar'', completa.

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