No rótulo de qualquer embalagem de alimento estão informações cruciais para quem deseja uma dieta saudável. E também para quem quer a certeza de comprar exatamente aquilo que é anunciado. Letras miúdas, e embalagens e nomes similares podem mascarar o real conteúdo do produto. Caso de iogurtes, requeijão e molhos de tomate. Quem alerta é a bioquímica Rejane Dias das Neves Souza, professora da Universidade Norte do Paraná (Unopar).
  Requeijão cremoso, por exemplo, já é difícil de ser encontrado nos supermercados, apesar das prateleiras cheias do que parecem ser o produto. É só reparar bem nas letras miúdas para ver que a mercadoria é uma ‘‘especialidade láctea’’ ou ‘‘produto à base de requeijão’’. O que era feito de leite, hoje tem como base o soro, sobra da fabricação de queijos, além de amido modificado para dar consistência, saborizantes e aromatizantes.
  Mesma mudança que sofreram os iogurtes, antes produzidos através da fermentação do leite. Hoje feitos à base de soro de leite são chamados de bebidas lácteas. Principalmente os lights, ressalta a professora, são aditivados com goma, um tipo de espessante, que como o próprio nome diz, são utilizados para deixar o produto mais espesso. ‘‘Não há pesquisas que apontem malefícios no consumo de goma e amido, mas a pessoa está deixando de consumir o alimento, deixando de consumir os nutrientes do leite’’, alerta.
  Para um consumidor menos atento, os molhos de tomates continuam os mesmos. Não para Rejane. Foi o paladar apurado da professora que a fez perceber que havia algo diferente. ‘‘Fui ver o rótulo e não deu outra, os molhos que antes eram feitos só com cebola, tomates e temperos, agora têm amido modificado na composição’’, conta.
  Ela explica que o amido modificado serve para encorpar e dar um volume maior ao molho, e que ele ‘‘teoricamente é inócuo’’. ‘‘Mas quando a indústria acrescenta o amido, ela diminui a quantidade de alimentos naturais, o tomate, a cebola, e aumenta a quantidade de corante’’, alerta. (C.P.)

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