De olho no eclipse solar
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
Celso Felizardo e Viviani Costa<br>Reportagem Local 

O eclipse solar anular poderá ser visto parcialmente no Brasil neste domingo (26). Em Londrina, dois grupos se organizam para observar o fenômeno que consiste no alinhamento entre a Terra, a Lua e o Sol. No Planetário de Londrina, ao lado do Museu Histórico, dois telescópios estarão à disposição dos interessados, além de pequenos filtros utilizados em máscaras de solda. Aproximadamente, 100 pessoas são aguardadas no local. Uma maquete também será utilizada para explicar o fenômeno.
O eclipse solar ocorre todos os anos, mas a observação depende da inclinação da Terra. Segundo a planetarista Sheila Santos, o último eclipse observado em Londrina ocorreu em 2007. O próximo está programado para 2023. "O eclipse solar acontece quando a Lua fica entre a Terra e o sol. A luz do Sol não consegue atingir a Terra e forma uma sombra. É sempre na fase da Lua Nova. Isso não ocorre todos os meses porque a órbita da Lua e da Terra têm leve inclinação", explicou.
O coordenador do Grupo de Estudo e Divulgação de Astronomia de Londrina (Gedal), Miguel Fernando Moreno, destacou que o chamado eclipse solar anular é visto quando a Lua está mais distante da Terra e mais próxima ao Sol. Isso impede que a Lua consiga encobrir totalmente o Sol e um anel luminoso se forma ao redor do Sol. "É como se colocássemos uma moeda de 50 centavos sobre uma moeda de 1 real", comparou.
Em Londrina, o eclipse parcial poderá ser visto por volta das 9h50 deste domingo e deve ter cerca de duas horas de duração. O anel luminoso, segundo Moreno, só poderá ser visto no sul da Argentina e do Chile. Os integrantes do Geral farão a observação do fenômeno na Praça Nishinomiya, em frente ao aeroporto. Telescópios, máscaras com filtro apropriado e maquetes estarão disponíveis.
As atividades no Planetário de Londrina e na Praça Nishinomiya são gratuitas. Além de disseminar o conhecimento e despertar o interesse na população, o objetivo é evitar danos que podem ser causados na visão pelo uso de itens inadequados como negativos de filmes de fotografia ou chapas de raio-X. O oftalmologista Sérgio Pacheco alertou sobre os riscos de olhar diretamente para o Sol. "Acho que todos já viram a experiência de acender fogo usando uma lupa. Aquilo é o que acontece com nossa visão, pois temos nossa lente natural, o cristalino", advertiu. De acordo com o especialista, a luz solar provoca queimaduras na mácula, ponto da retina responsável pela melhor visão. "Quando ocorrem avarias na mácula, perdemos nossa visão central. Sem ela, passamos a depender apenas da visão periférica, ou seja, só enxergamos vultos", explicou.
Segundo Pacheco, a perda da visão central por queimadura da mácula é irreversível. Por isso, o especialista recomenda que o melhor é não olhar para o Sol, mas, se a pessoa não resistir, o ideal é evitar a longa exposição e usar filtros adequados. "A recomendação médica é que a pessoa evite olhar diretamente para o Sol, mas, como a curiosidade é grande, indicamos uma observação rápida e com filtros mais escuros possíveis", orientou. Mesmo com as máscaras adequadas que serão disponibilizadas pelas equipes do Planetário e do Gedal, a observação contínua deve ser feita por 10 a 15 segundos, com intervalos após esse período para não prejudicar a visão. Mesmo com o tempo nublado será possível observar o fenômeno. No entanto, em caso de chuva, as atividades serão canceladas.
Serviço:
Planetário de Londrina (atividades a partir das 9h30)
Rua Benjamin Constant, 800
(43) 3326-0567
Grupo Gedal (atividades a partir das 9h30)
Praça Nishinomiya
(43) 9 9962-9996


