Sacerdote há 30 anos, padre Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos se define como um missionário. À frente da Paróquia Sant’Ana, na zona sul de Londrina, o sacerdote está de mudança para a Paróquia São João Batista, em Florestópolis. A comunidade, a aproximadamente 70 km de Londrina, já teve lideranças como Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança.

"A expressão ‘morreu mais um’ é horrível. Precisamos combater essa banalização à vida”, ressalta padre Manuel Joaquim
"A expressão ‘morreu mais um’ é horrível. Precisamos combater essa banalização à vida”, ressalta padre Manuel Joaquim | Foto: Gustavo Carneiro

Em Florestópolis, cidade com, aproximadamente, 10,5 mil habitantes, Manuel Joaquim pretende adotar uma proposta de valorização da vida. A intenção é dar continuidade ao projeto de Zilda Arns, reconhecida internacionalmente pelas ações de combate à mortalidade infantil.

“A Pastoral da Criança foi o grande diferencial na década de 1980, em Florestópolis. Lá foi feita a primeira experiência que hoje está presente em vários países e que é uma bênção de Deus. Hoje Florestópolis não tem mais essa realidade, então óbvio que outras pastorais se tornam necessárias. Se a vida foi valorizada lá trás e nós eliminamos a mortalidade infantil, o meu trabalho vai ser exatamente nessa linha, inspirado na Pastoral da Criança, numa valorização da vida de A a Z. A expressão ‘morreu mais um’ é horrível. Não morreu mais um, morreu uma pessoa. E morreu por quê? Não foi uma calamidade ou castigo de Deus. Precisamos combater essa banalização à vida”, ressalta.

Manuel Joaquim nasceu na cidade de Chaves, em Portugal. Aos 25 anos, ele partiu rumo a Londrina a convite do amigo Dom Geraldo Majella Agnelo, na época Arcebispo da cidade. O padre atuou em Porecatu e em outras duas paróquias de Londrina: Imaculada Conceição e Sagrados Corações. Na Paróquia Sant’Ana enfrentou o desafio de formar uma comunidade integrada com a zona rural (Patrimônios Regina e Espírito Santo) e preocupada com a realidade do próximo.

“O mais importante foi criar um ‘point’ de encontro de um público extremamente jovem, com menos de 45 anos, que encontrou um espaço de participação e que se deixou interpelar pela palavra de Deus. Esse público arregaçou as mangas na direção de projetos sociais de transformação que a gente propôs”, lembra. Parte do dízimo arrecadado é destinada a duas entidades assistenciais.

Manuel Joaquim se nega a restringir o papel de padre apenas aos limites da própria paróquia. Em Londrina, ele costumava marcar um café com os fiéis para debater os mais diversos assuntos e se aproximar da comunidade. Em Florestópolis, o sacerdote já agendou encontros com representantes da prefeitura e do Conselho de Pastores. “O padre, à luz do papa Francisco, tem esse direito e até esse dever de não ficar enclausurado, de se manifestar”, defende.

“Quando vai um missionário para algum lugar, esse ato do missionário tem duas dimensões: são as sandálias que vão e os joelhos que ficam. É a pessoa que vai para a missão e são os amigos e a retaguarda que ficam orando e torcendo por essa missão. Vou para Florestópolis para somar, para respeitar a história da comunidade, para caminhar junto”, conclui.

O padre Manuel Joaquim não é o único a ser transferido de paróquia. A mudança está entre as 14 alterações anunciadas pela Arquidiocese de Londrina para 2020 e faz parte de uma série de transferências realizadas desde 2018. A posse de Manuel Joaquim será neste domingo, às 19h30, na Paróquia São João Batista, em Florestópolis. Com a saída do padre Manuel Joaquim, o padre Marcelo Aparecido da Cruz assume os trabalhos na Paróquia Sant'Ana.

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