De Marchi diz ter prova que Coca controla a Kaiser
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2000
Por Denise Carvalho e Marcia Furlan 
São Paulo, 17 (AE) - O presidente da Antarctica, Victório De Marchi, afirmou hoje que a AmBev, empresa resultante da fusão com a Brahma, tem como provar na Justiça, por meio de documentos, que o sistema Coca-Cola tem a maioria do controle acionário da cervejaria Kaiser. Ele informou que as provas serão apresentadas quando os advogados da companhia acharem necessário.
De acordo com Marcel Telles, presidente da Brahma, as informações constam do prospecto de lançamento de eurobônus que a Kaiser fez recentemenre no exterior. O prospecto daria conta de que a Coca-Cola teria 10% da participação direta na Kaiser. Outros 75% seriam de engarrafadores da Coca-Cola do Brasil. E outros 14% da Heinecken. A Kaiser vem repetidamente desmentindo a informação e interpelou judicialmente a AmBev para que comprovasse a participação da Coca-Cola na empresa.
De Marchi disse que o que está em questão é o mercado relevante de bebidas no Brasil. Ele avalia que se for considerado apenas o de cerveja, a AmBev concentraria 71,7% do total, enquanto a Kaiser teria 35% só em São Paulo.
No entanto, avaliando o mercado de bebidas, incluindo refrigerantes, a Ambev concentraria 40% e a Coca-Cola, 36%. "Isto muda completamente o quadro", disse. Ele acrescentou que todas as fábricas brasileiras produzem as duas bebidas. "Ninguém pode negar que a cerveja Kaiser é do sistema Coca-Cola."
De Marchi e Telles depuseram hoje ao delegado Luiz Carlos Zubcov da Polícia Federal, em São Paulo, no inquérito que apura a denúncia de tentativa de suborno sobre conselheiros do Conselho Administrativo do Defesa Econômica (Cade), que analisa a fusão. Nos depoimentos, eles disseram que souberam das denúncias pela conselheira do Cade, Hebe Romano, relatora do parecer final, em janeiro. Na ocasião, ela teria dito que as providências devidas estariam sendo tomadas. Em dezembro, De Marchi já tinha sido alertado pelo advogado da AmBev, Carlos Francisco Magalhães, sobre os boatos, desfavoráveis à criação da empresa.
O advogado Márcio Pugliesi, acusado da tentativa de suborno, também prestou depoimento esta manhã e negou que tivesse pedido R$ 20 milhões à Associação dos Distribuidores de Bebidas da Antarctica (Abradisa) para "defender interesses" da entidade no Cade.


