Londrina - ''Livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.'' A célebre frase do escritor Mario Quintana retrata a importância que o mundo da leitura tem para o desenvolvimento de uma sociedade. O gosto pelos livros, no entanto, deve começar desde a infância, para que o contato com eles se torne algo habitual aos pequenos e que será levado para o resto da vida.
Com apenas 10 anos, Hellen Souza de Andrade, do 4º ano do ensino fundamental da Escola Municipal David Dequech, do Parque Ouro Verde (zona norte), já descobriu na literatura um ideal de vida. Com a ajuda do pai, a estudante escreveu e ilustrou o seu primeiro livro: ''Um dia frio''. ''Gosto bastante de leitura; leio desde os 7 anos'', diz ela, que pretende seguir a carreira de escritora.
Hellen não é a única aluna da escola apaixonada pelo mundo literário. A maioria das crianças se revela bastante envolvida com as histórias fictícias. Isso acontece pelo incentivo que a instituição dá aos alunos por meio de projetos de leitura. Durante este ano letivo, por exemplo, todas as salas desenvolveram trabalhos interdisciplinares que culminaram na primeira edição da Feira Literária, realizada no sábado de manhã na própria escola.
A educação infantil trabalhou temas relacionados a contos clássicos e à Arca de Noé. Já o 1º ano do ensino fundamental abordou contos de Mary França e Eliardo França, enquanto o 2º focou Monteiro Lobato. Histórias com acumulação foram o tema do 3º ano; histórias em quadrinhos do 4º e a 5 série desenvolveu temas sobre mangá (histórias em quadrinhos no estilo japonês). Ao todo, cerca de 600 alunos participaram dos trabalhos, que ficaram expostos durante a feira na biblioteca da escola, nas salas de aulas e no refeitório. Durante a manhã também houve apresentações artísticas temáticas.
A supervisora da unidade, Maria Luiza dos Santos, observou que a iniciativa estimulou os alunos a conhecerem a biografia e a coletânea dos autores estudados. ''Podemos dizer que eles desenvolveram o gosto pela leitura'', afirmou. ''Cada dia mais percebemos a participação das crianças nos momentos de leitura. Além disso, elas passaram a procurar mais livros na biblioteca'', completou a diretora Suzana Martins Ribeiro.
Entre os benefícios que a leitura traz, elas citaram que a criança passa a produzir e fazer interpretações melhores, o vocabulário é ampliado e, consequentemente, a produção fica mais rica.
O aluno Gabriel Higor Leite, de 6 anos, é um exemplo de como a proximidade com os livros só acrescenta benefícios ao leitor. Com um vocabulário bem afinado às regras gramaticais, o pequeno relatou, com orgulho, que ajudou a montar o painel exposto por sua turma (1º ano). Com relação aos contos de Mary França e Eliardo França, ele disse que foi uma ''viagem ao mundo da imaginação''. Entre as obras propostas, as que mais chamaram sua atenção foram ''O rabo do gato'' e ''Fogo no céu''. ''Eu já gostava de ler, mas agora gosto ainda mais'', completou.
Para Danilo Henrique Galassi, de 9 anos, estudar histórias de acumulação foi ''muito divertido''. Ele, que prefere gibi à leitura de livros, disse estar bastante interessado nesse tipo de historinha. ''Na leitura você viaja para vários lugares sem pagar nada e conhece muita coisa diferente. Cada livro é um mundo'', afirmou. ''Gostamos muito dos trabalhos porque aprendemos nos divertindo'', acrescentaram Nicole dos Santos e Kathleen Melo, de 8 e 9 anos respectivamente.
A mãe da aluna Vitória Batista, do 1º ano, Angela Batista, disse que todas as histórias que a filha aprende na escola ela reconta em casa com detalhes. ''Percebo que esta iniciativa fez com que ela se envolvesse mais com a leitura. Ela experimentou um sabor diferente nos livros e mergulhou de ponta.''
Nilton Cesar Francisco, pai da aluna Yasmin, 6 anos, acompanhou a filha na feira e se mostrou muito satisfeito com os resultados obtidos com o projeto desenvolvido durante o ano. ''O contato com os livros amplia a visão da criança. Hoje, ela gosta de ler historinhas para minha esposa e para mim. Além disso, tudo o que ela escuta aqui ela reproduz para nós em casa'', contou.

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