De la Rúa quer reforçar vínculos de aliança estratégica
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segunda-feira, 01 de novembro de 1999
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 02 (AE) - O presidente eleito da Argentina
Fernando De la Rúa, chegará amanhã a Brasília para uma visita de poucas horas ao presidente Fernando Henrique Cardoso. A viagem ao Brasil se constituirá na primeira visita de De la Rúa ao exterior depois de eleito e mais, uma promessa de campanha. Na ocasião, ele havia dito que esta viagem pretende reforçar os vínculos entre os dois países, e reafirmar a "fundamental importância da aliança estratégica entre o Brasil e a Argentina".
A viagem foi confirmada no dia 24 de outubro, dia da vitória eleitoral de De la Rúa, quando o presidente FHC telefonou ao argentino para parabenizá-lo. Nesse momento, o presidente brasileiro fez o convite para que De la Rúa se reunisse com ele em Brasília.
O encontro entre os dois presidentes será puramente político, para definir prioridades e trocar idéias. A Embaixada brasileira disse que primeiro será realizado um encontro bilateral: sozinhos, os dois conversarão durante uma hora. Depois, almoçarão, em companhia da reduzida comitiva de De la Rúa. Segundo assessores do presidente eleito, ele não viajará com integrantes de sua equipe técnica, já que não serão discutidos temas comerciais específicos.
O presidente eleito afirmará a FHC que manterá a conversibilidade e a paridade um a um entre o peso e o dólar. Além da integração comercial entre os dois países, De la Rúa também quer uma maior integração na área política e militar. O presidente eleito criticou a pouca atenção que o governo do presidente Carlos Menem deu a estes dois setores, e disse que ambos países precisavam estabelecer diretrizes comuns de política externa, além da conquista conjunta de mercados internacionais. Ultimamente De la Rúa está fascinado com a idéia do "Mercosul Natural": a venda de produtos da região com a vantagem competitiva de terem menos agroquímicos que os do Primeiro Mundo.
Nos últimos meses o presidente eleito da Argentina também realizou uma ousada proposta na área militar: a criação de unidades mistas brasileiro-argentinas, à imagem das já existentes unidades franco-germânicas dentro da União Européia.
De la Rúa chegará à Brasília com um Mercosul abalado pelas crises comerciais desatadas no fim do ano passado, e que se agravaram desde a desvalorização do real. Nos últimos três meses, temeu-se pela continuidade do bloco comercial, e nos dois países diversas lideranças políticas pediram uma revisão do Mercosul.
Além disso, a Argentina que De la Rúa herdará de Menem não possui mais a Brasil-dependência que foi característica dos últimos cinco anos: enquanto que até o ano passado o país vendia ao Brasil 33% do total das exportações, a proporção este ano caiu para somente 24%.
Além da visita formal, que pretende ser uma mensagem de reforço na integração do Mercosul, entre os assessores de De la Rúa existe a esperança que o presidente FHC proponha a compra do Tango 01, o avião presidencial argentino, para substituir o envelhecido avião presidencial brasileiro. De la Rúa anunciou que quer vender o avião, que considera como símbolo da extravagância do governo do presidente Carlos Menem. Além de dois quartos de dormir (um de casal), o avião possui um mini-salão de cabeleleiros.
Empadão e galináceos - "Sou um amigo do Brasil". Com esta frase, De la Rúa costuma auto-definir-se em matéria de política externa. O presidente eleito já realizou diversas viagens ao Brasil, quase todas a trabalho, já que ao contrário da maioria dos argentinos de classe alta, De la Rúa prefere passar as férias nas montanhas de sua província natal, Córdoba.
Nas viagens que fez ao Brasil como prefeito de Buenos Aires, De la Rúa conheceu diversas experiências administrativas que lhe chamaram a atenção. Entre elas, o sistema de descentralização de prefeituras de várias cidades brasileiras, que está implementando na capital argentina. Ele também interessou-se pelo orçamento participativo de Porto Alegre e o sistema de transporte de Curitiba. Nesta cidade, conheceu um quitute que o fascinou: empadão de massa podre de palmito.
De la Rúa possui um hobby que lhe ocupa o tempo livre: a cria de galináceos, dos quais possui várias espécies exóticas. Perguntado sobre qual seria uma lembrança ideal que poderia trazer do Brasil, um assessor do presidente eleito confidenciou ao Estado: "uma galinha dangola ou uma espécie diferente".


