Buenos Aires, 01 (AE-DOW JONES) - O presidente da Argentina, Fernando De la Rúa, fez um esboço de seus planos para promover uma segunda transformação do Estado e conclamou o Congresso a dar apoio às reformas necessárias para que o país resgate a prosperidade. Em discurso proferido na sessão inaugural do Congresso, De la Rúa propôs uma segunda transformação da Argentina e afirmou que não queria realizar esse processo sozinho. "Eu preciso que todos vocês ajudem-me. Vamos fazer isso juntos", disse. De la Rúa solicitou que os parlamentares aprovem as reformas trabalhistas, que passaram, na semana passada, pela Câmara e estão agora no Senado, e aproveitou a ocasião para fazer um panorama dos 80 dias em que está no cargo. "O desemprego está destruindo a Argentina. Nunca os trabalhadores estiveram em situação tão ruim como agora. Eu mereço a oportunidade que o país está oferecendo-me para implementar meu plano para superar a crise", afirmou. De la Rúa ratificou ainda sua decisão de eliminar o déficit fiscal e lutar contra a sonegação de impostos. O presidente argentino herdou de seu antecessor, Carlos Menem, um déficit fiscal de aproximadamente US$ 11,5 bilhões. "É uma situação muito grave", destacou De la Rúa, que lembrou que o país pode enfrentar dificuldades para conseguir empréstimos porque "ninguém quer emprestar para uma nação endividada". "Nós temos de deixar de ser um país de risco para os investidores e eliminar o déficir que nos asfixia", enfatizou. Para reduzir o déficit, o país precisará fazer sacrifícios, como reduzir os gastos públicos e aumentar os tributos, como prevê a reforma tributária proposta pelo governo. "O aumento do juro tem um custo político, mas eu fiz isso mesmo assim. Ninguém gosta de elevar taxas, mas eu não estou aqui para fazer as coisas de que gosto, mas sim as necessárias", afirmou. Pelos termos da proposta fiscal já aprovada, o governo elevou os impostos incidentes sobre determinados produtos e outras medidas. O presidente argentino também enviou ao Congresso um projeto para combater a evasão fiscal, que prevê a punição dos sonegadores e a extensão do prazo para ajustes de tributos atrasados.