De la Rúa herdará um dos países mais corruptos da Améria Latina
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sábado, 30 de outubro de 1999
Por ARIEL PALáCIOS, Especial para a Agência Estado 
Buenos Aires, 31 (AE) A Argentina é um dos países mais corruptos da América Latina. O alerta foi feito pela organização Transparência Internacional, que em seu relatório anual indicou que o país possui índices de corrupção só não ultrapassados pela Venezuela, Equador e Bolívia na América do Sul.
No ranking mundial da corrupção, a Argentina está pior situada que países como a China, Botswana, Ghana ou Mongólia. "Países com instituições democráticas mais frágeis que as nossas", afirma Maria Eugenia Estenssoro, integrante da organização na Argentina. O país está próximo à níveis de corrupção similares aos do Paraguai e da Rússia.
Em relação ao ano passado, a posição da Argentina no ranking não melhorou, embora o presidente Carlos Menem, no poder há 10 anos, sustente que a corrupção terminou graças às privatizações, e que agora só existe "uma pequena corrupção residual".
Cristian Gruenberg, diretor regional da organização, considerou que o novo governo terá como desafio melhorar a imagem do país no exterior.
Em Washington, na sede da organização, a eleição de Fernando De la Rúa no domingo passado para ocupar a presidência do país foi considerada como "uma boa notícia" na luta contra a corrupção.
No entanto, a Transparência Internacional sustenta que isso somente poderá ser confirmado no relatório do ano que vem. No ranking, que engloba um total de 99 países, a Argentina está no lugar número 71, o que é considerado entre "extremadamente alto" e "muito alto".
O lugar número um é ocupado pela Dinamarca, considerado o país menos corrupto do mundo, seguido pela Finlândia e Nova Zelândia. O Brasil ocupa o posto número 45. O país mais corrupto é o africano Camarões.
A menos de um mês e meio para assumir o governo, integrantes da coalizão Aliança UCR-Frepaso anunciaram que pretendem abrir os arquivos de uma década de governo Menem para investigar profundamente as acusações de corrupção. "O que aparecer será enviado à Justiça", disse o jurista Rafael Bielsa
cotado para ministro da Justiça. Outro ministeriável, o Ricardo Gil Lavedra, declarou que o governo Menem interferiu na Justiça, e que essa prática "vai acabar".
Analistas consideram que as investigações não atingiriam o presidente Menem, e que os principais alvos serão o diretor da previdência, Victor Alderete, e a secretária de Meio Ambiente, Maria Julia Alsogaray.
Na Aliança pretende-se mostrar quanto os assessores de Menem enriqueceram nos dez anos de governo.
Entre os principais escândalos estão o caso IBM-Banco Nación, onde o banco estatal pagou US$ 80 milhões extras por uma compra de computadores à empresa norte-americana. Neste escândalo está envolvido o secretário-geral da presidência, Alberto Kohan.
Outro caso é a "Fraude do Ouro", que permitiu que a Argentina, um país sem produção local do minério, exportasse através de manobras tributárias alfandegárias milionárias quantias, causando prejuízos de US$ 150 milhões aos cofres públicos. Também está na mira o caso da venda ilegal de armas ao Equador e a Croácia. O deputado Jesús Rodríguez, um dos principais líderes da Aliança, listou uma centena de casos envolvendo a administração Menem.


