DE LA RÚA DIZ QUE TEM PLANOS CONJUNTOS COM FHC PARA MERCOSUL19/Mar, 14:54 Por Ariel Palacios, correspondente da AE Buenos Aires, 19 (AE) - O presidente Fernando De la Rúa declarou ao jornal La Nación que ele o presidente FHC estão "preparando um plano de projetos conjuntos para o Mercosul". Na entrevista, De la Rúa sustenta que ele e FHC estão convencidos da importância estratégica do bloco comercial, e que os projetos incluem obras de infra-estrutura, e a decisão de "conquistar os mercados de outros países em conjunto, vendendo produtos do Mercosul, além de negociar em grupo". De la Rúa declarou que durante a posse do novo presidente do Chile, em Santiago, conversou com o presidente brasileiro sobre a possibilidade de "viajarmos juntos para apresentar-nos como bloco regional". O presidente argentino admitiu que "é preciso resolver problemas importantes" dentro do Mercosul. Ele rechaçou críticas de que a Argentina perde em sua relação com o sócio comercial, afirmando que "não podemos deixar de ver que nós exportamos para o Brasil cinco vezes mais do que importamos dali". O plano que está sendo elaborado entre os dois presidentes inclui obras de infra-estrutura rodoviária e de energia elétrica, além de gasodutos e a hidrovia Paraguai-Paraná, e a construção de pontes conectando os dois países sobre o rio Uruguai. As declarações de De la Rúa estão servindo para esfriar a polêmica causada pelo governador da Província de Buenos Aires, Carlos Ruckauf: o governador da província mais poderosa do país pediu que seja assinada uma cláusula entre os membros do Mercosul que estabeleça que, se qualquer país do bloco desvalorizar sua moeda, os outros podem aplicar de forma automática direitos de compensação, equivalentes à proporção da desvalorização". Ruckauf também propôs a criação de um "dólar especial" para as exportações argentinas ao Brasil. Este dólar não significaria uma desvalorização do peso, mas implicaria em reembolsos ou subsídios para os exportadores argentinos. Segundo assessores de Ruckauf, esta seria a forma de que produtos argentinos recuperassem o espaço que perderam no último ano no mercado brasileiro. O vice-chanceler Horacio Chighizola rebateu a proposta de Ruckauf, afirmando que "é melhor aumentar a produtividade e não implementar medidas artificiais que não produzem resultados concretos". Ruckauf tem atacado a relação com o Brasil constantemente: primeiro, ameçou boicotar as empresas argentinas que se mudassem parcial ou totalmente para o vizinho do Mercosul. Depois, alertou para uma hipotética nova desvalorização do real. A polêmica sobre o êxodo de empresas argentinas ao Brasil continua crescendo: deputados peronistas acusaram Danila Terragno, a filha de Rodolfo Terragno, o chefe do gabinete De la Rúa, de ter um site na Internet onde presta assessoria às empresas que queiram emigrar ao Brasil. Mas além da irritação com o êxodo, também surgiu admiração pelo "modelo" brasileiro: neste fim de semana, a revista Notícias deu quatro páginas à uma matéria com o título "Por que não podemos ser como o Brasil?". "Pollos (frangos, em espanhol) sí, frangos no!". Como estes cartazes, 3 mil produtores argentinos de frangos protestaram pela entrada de frangos provenientes do Brasil, e bloquearam a estrada nacional 14, que conecta os dois países, na província de Entre Ríos. Segundo eles, está ocorrendo uma "invasão" das aves brasileiras, o que estaria destruindo a indústria local do setor. Os argentinos afirmam que os frangos brasileiros realizam uma concorrência desleal, já que entrariam no país por US$ 0,85 por quilo, enquanto o frango argentino é vendido por US$ 1,10. Diversos prefeitos de Entre Ríos ameaçam realizar controles sanitários nos carregamentos de frangos brasileiros que passem por seus municípios. "Se detectarmos irregularidades sanitárias, impediremos sua comercialização", sustentam.