De la Rúa desponta como futuro presidente da Argentina
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quarta-feira, 25 de agosto de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 26 (AE) - A campanha eleitoral argentina entra em sua etapa decisiva: a menos de dois meses da eleição presidencial, o candidato da coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso, Fernando De La Rúa, já desponta como futuro presidente. Segundo a pesquisa da Rouvier e Associados, De La Rúa possui 43,3% das intenções de voto. Em junho, De La Rúa tinha somente 34,7% dos votos. Em segundo lugar está o candidato do partido Justicialista (conhecido também como "peronista"), Eduardo Duhalde, que de 33,5% em junho, caiu para 30,9%. Em terceiro aparece o ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, que possui 9,2%.
A pesquisa também deixa claro que os argentinos percebem que o presidente Carlos Menem faz questão de não apoiar Duhalde, candidato de seu próprio partido, mas seu inimigo político. Somente 2% consideram que Menem quer que Duhalde vença nas eleições de 24 de outubro. Segundo analistas, o peronismo não está acostumado a ter dois líderes. Se Duhalde vencesse, Menem teria que resignar-se a ser relegado à uma posição sem poder. Por isso, o presidente preferiria que Duhalde seja derrotado para poder - pelos próximos quatro anos - ser o chefe da oposição, e assim, aspirar à uma nova eleição em 2003.
Analistas como o "think tank" Rosendo Fraga, Manuel Mora y Araujo e Graciela Rhmer consideram que será difícil para Duhalde reverter a atual tendência de derrota. Além da oposição ferrenha, mas não pública de Menem, entre as causas da queda de Duhalde atribuem-se suas próprias declarações sobre o perdão da dívida externa, que o fizeram perder o apoio do establishment. A sugestão do perdão foi feito pelo norte-americano James Carville
seu assessor de campanha, que há duas semanas perdeu o cargo para o brasileiro Duda Mendonça.
Duhalde também foi abalado pelos boatos surgidos de que poderia renunciar a favor da candidatura ex-piloto de fórmula um e governador recém-eleito de Santa Fé, Carlos Reutemann. Entre os assessores de Duhalde desconfia-se que o boato foi fabricado pelos assessores de Menem.
O candidato peronista, que há três meses havia retirado de Menem a maioria de seus aliados políticos, começa a assistir um angustiante refluxo: os aliados retornam rapidamente a Menem, vendo que Duhalde já é um eventual perdedor.
A Aliança, após meses de marasmo, conseguiu despontar, mais por culpa de Duhalde do que por mérito próprio. Aproveitando o empuxo, De La Rúa declarou que investigará atos de corrupção do governo Menem. A Aliança possui uma lista de uma centena de casos graves de corrupção cometidos em dez anos de poder.
No entanto, analistas consideram que Menem sente-se tranquilo pela quase certa vitória de De La Rúa. Ele sabe que por trás das discretas ameaças de investigação por parte do moderado candidato da oposição, há somente bravatas eleitoreiras. Menem precisa de uma vitória de De La Rúa para continuar sendo o chefe indiscutido do peronismo. Mas, fora do poder, precisará negociar a impunidade.
De La Rúa, por seu lado, precisa que a transição política não tenha percalços, e necessita manter a imagem de continuidade do modelo econômico para ter o apoio do establishment. Se vencer em outubro, precisará negociar governabilidade com Menem, que é famoso por ser um opositor implacável: o peronismo não só terá a maioria no Senado, como também o controle da Confederação Geral do Trabalho (CGT), e o controle de duas de cada três províncias, além de uma Corte Suprema muito amistosa com Menem.
Enquanto transcorre a disputa eleitoral, o presidente Menem declarou à imprensa que ele próprio "é o melhor candidato para vencer a presidência". Sem considerar a Constituição, que o impede a uma segunda reeleição, Menem afirmou que "não me deixam concorrer", porque senão "varreria todos os candidatos juntos". O presidente sustentou que "Duhalde é o melhor candidato", mas com um detalhe: "el mejor... pero después de mi" (o melhor... mas depois de mim).


