Buenos Aires, 13 (AE) - O governo do presidente Fernando de la Rúa decidiu despedir 500 espiões do Exército e eliminar o Batalhão 601, tristemente famoso na última ditadura por ser o centro de informações da repressão nos anos 70.
O batalhão foi ativo participante das tentivas de golpe de Estado contra o ex-presidente Raúl Alfonsín.
As demissões constituem o maior expurgo na inteligência militar desde o retorno à democracia, em 1983.
Entre os dispensados há vários ex-repressores e suspeita-se que integrantes do 601 guardem o segredo do paradeiro dos desaparecidos políticos no regime militar.
No fim dos anos 70 e início dos 80, o batalhão também forneceu homens e know-how aos "contras" nicaraguenses e ensinou técnicas de repressão e tortura ao governo militar de Honduras.
A decisão foi adotada para dar maior transparência aos serviços de inteligência do Exército. Além disso, o governo decidiu o expurgo após uma série de escândalos que revelou espionagem de advogados de órgãos de defesa dos direitos humanos.
Desde 1983 o Exército está proibido de destacar agentes para ações internas.
Por trás da medida também está um drástico corte orçamentário no Estado. O Exército foi um dos mais afetados, perdendo US$ 150 milhões e ficando só com US$ 111 milhões este ano.
Atualmente, as Forças Armadas possuem 10% de seu orçamento do início dos anos 80.
Com as demissões, 48% dos espiões do Exército vão para a rua. A eles se somam os mil agentes da Side, o serviço secreto, cuja demissão foi anunciada na semana passada. O governo quer que a Side passe a preocupar-se com o movimento de capitais, lavagem de dinheiro e terrorismo.
Mas há o receio de que os 1.500 espiões demitidos possam ser contratados por empresas ou máfias para "trabalhos sujos" de grampeamento de telefones e afins, ou façam algo contra o próprio governo.

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