Buenos Aires, 27 (AE) - O presidente eleito da Argentina, Fernando de la Rúa, anunciou os nomes dos integrantes das equipes que se encarregarão de negociar com os ministros do governo do presidente Carlos Menem o período de transição que se estenderá até o dia 10 de dezembro, data da posse.
De la Rúa fez questão de deixar claro que os integrantes das equipes de transição não serão automaticamente ministros. A lista de ministros só será anunciada daqui a dez dias. Por enquanto, as seguintes equipes tratarão da transição, inclusive no que concerne às relações com o Brasil.
- Chancelaria e Comércio Exterior: a comissão está a cargo do deputado Rodolfo Terragno, ex-ministro de Obras Públicas do presidente Raúl Alfonsín. É considerado uma das principais mentes intelectuais da UCR.
Junto com ele está a economista Beatriz Nofal, representante da Arthur DLittle, ex-subsecretária de Desenvolvimento Industrial, e especialista em Mercosul. Ela é cotada para ocupar a secretaria de Relações Econômicas Internacionais da Chanceleria, que é o principal posto para as negociações com o Brasil. Também estarão na equipe o ex-secretário de Indústria Roberto Lavagna e Carlos Pérez Llana.
Lavagna é cotado para ocupar a Secretaria de Indústria e Comércio, mas da mesma forma que Pérez Llana, teria chances de tornar-se embaixador no Brasil.
Terragno declarou que as equipes da Aliança e do governo Menem já estão estudando juntas as negociações da Alca e a rodada do milênio, que ocorrerão antes da posse de De la Rúa. Também referiu-se à reunião de cúpula do Mercosul, que será no dia 8 de dezembro (dois dias antes da posse), em Montevidéu, onde a Argentina assumirá a presidência pró-tempore.
- Economia: A equipe será chefiada pelo ex-presidente do Banco Central, José Luis Machinea, que terá a seu lado Daniel Marx, encarregado de analisar formas de reduzir o déficit fiscal e as medidas para aumentar a competitividade. Pablo Gerchunoff também integra a equipe, e é o especialista em macro-economia.
Entre as restantes equipes, para coordenar a Chefia de Gabinete foi escolhido o banqueiro Fernando de Santibañes; Nicolás Gallo estará a cargo das Obras Públicas; Cecilia Felgueras na Educação e Ação Social; Héctor Lombardo na equipe de Saúde; Adrián Glodin na área de trabalho, Pablo Tonelli no setor da Justiça e Juan Manuel Casella na Defesa.
Formado na Universidade Católica Argentina (UCA), José Luis Machinea, começou a trabalhar como funcionário público no governo do general Rodolfo Levingston (1970), e ali permaneceu, passando pela presidência de Isabelita Perón, continuando na Ditadura, sob o comando do general Jorge Rafael Videla. Em pleno regime militar, em 1979, foi subgerente de Finanças Públicas do Banco Central, para em 1980, tornar-se gerente do mesmo setor.
Em 1981, apesar de trabalhar para os militares, foi chamado para um ciclo de conferências por economistas da União Cívica Radical (UCR).
Esta aproximação possibilitou que, ao terminar a Ditadura em 1983, e com a eleição do presidente Raúl Alfonsín, da UCR, ele se tornasse subsecretário de Programação de Desenvolvimento do Ministério da Economia.
Posteriormente, fez um master na Universidade de Minnesota, e foi promovido a subsecretário de Política Econômica. Poucos anos depois, o Plano Austral naufragou. O sucessor deste plano, o "Primavera", também fracassou. Machinea teve ali uma discreta participação.
Neto de imigrantes bascos, a pior etapa de Machinea foi a partir de fevereiro de 1989, quando começou a escalada inflacionária que levaria à uma hiperinflação de 4.900%. Integrante de uma equipe que foi vencida pelo mercado, Machinea viu o governo Alfonsín terminar seis meses antes do previsto, em julho daquele ano. Diversos analistas consideram que esta crua experiência proporcionou a Machinea um conhecimento profundo de como os mercados condicionam os governos.
Anos depois, em 1992, o ex-presidente do BC encarregou-se do Instituto de Desenvolvimento Industrial. Já no começo da campanha de De la Rúa era visto como o futuro ministro da Economia, posto que ficou praticamente garantido após a remoção de Ricardo López Murphy, que causou mal-estar ao afirmar que era preciso reduzir os salários em 20%.
Sobre as relações com o Brasil, Machinea espera que o País cresça no ano 2000 para que possa comprar mais produtos argentinos. Ele considera que os principais problemas do Mercosul se devem a questões "estruturais", entre elas, a necessidade de criação de instituições estáveis no bloco. Além disso, considera que é preciso eliminar todo tipo de subsídios às exportações nos países-sócios.
Também hoje, rumores sustentavam que Carlos Ruckauf, governador recém-eleito da província de Buenos Aires, designaria o ex-coronel golpista Aldo Rico como novo Secretário de Segurança da província.
Ex-coronel, Rico é um herói da Guerra das Malvinas que realizou duas rebeliões militares durante o governo do presidente Raúl Alfonsín para impedir o julgamento de ex-repressores da última Ditadura. Se o rumor for confirmado, Rico teria o controle da segurança de 14 milhões de habitantes. Ruckauf fez sua campanha pedindo "mão dura" contra os delinquentes e a pena de morte.

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