De la Rúa defende Mercosul das críticas de Ruckauf
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de março de 2000
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 20 (AE) - "De forma alguma o Mercosul pode ser deixado para atrás". Com estas palavras, o presidente Fernando De la Rúa, da Argentina, rebateu as críticas realizadas nos últimos dias contra a associação comercial com o Brasil pelo governador da província de Buenos Aires, Carlos Ruckauf. De la Rúa definiu o Mercosul como o "objetivo estratégico do desenvolvimento".
Para reforçar a importância do bloco comercial, o presidente também afirmou que é preciso conseguir uma moeda única para o Mercosul, além de uma coordenação macro-econômica entre o Brasil e a Argentina. "Temos que fazer uma espécie de Maastricht no Mercosul", disse. O presidente argentino também fez um alerta sobre posições de políticos e empresários que tendem a isolar a Argentina no mundo.
De la Rúa até chegou a realizar uma sutil crítica ao sistema monetário argentino, e se referiu-se à paridade um a um entre o dólar e o peso como "rigidez". Segundo ele, "essa rigidez de nossa conversibilidade econômica diante da desvalorização monetária do Brasil, criou diferenças comparativas que no ano passado geraram uma recessão da qual estamos saindo".
De la Rúa disse que a Argentina não mudaria as regras do jogo, e rechaçou a proposta de Ruckauf de que fosse estabelecido no Mercosul uma cláusula que implicasse em compensações automáticas que seriam aplicadas no caso que um dos países-sócios desvalorizasse sua moeda.
Ruckauf continuou a saraivada de críticas realizada nas últimas duas semanas ao Brasil, e escolheu o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, como alvo de seus ataques. Ruckauf, governador da província mais poderosa da Argentina, afirmou que Itamar está realizando uma "política inaceitável" porque "ele não pode continuar seduzindo nossos empresários para que se mudem ao Brasil".


