De la Rúa defende Mercosul contra globalização
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terça-feira, 24 de agosto de 1999
Por Ricardo Sarmiento 
Buenos Aires, 25 - O mercado interno ampliado é a melhor ferramenta para o crescimento da economia argentina e uma forma de a sociedade defender-se da globalização. A opinião foi dada hoje em Buenos Aires por Fernando de la Rúa, candidato presidencial da oposicionista Aliança (UCR-Frepaso).
Ele falou hoje sobre sua política para a continuidade do processo de integração do Mercosul para mais de 200 empresários do Grupo Brasil. O grupo já realizou na Argentina investimentos que beiram os US$ 3 bilhões, gerando 11 mil empregos diretos.
De la Rúa criticou as chancelarias do Brasil e Argentina ao dizer que "elas deveriam reunir-se mais e jamais interromper o diálogo". Disse ainda que os dois países caminhem juntos nas questões políticas e que não é possível que hajam medidas unilaterais.
E exemplificou: "A Argentina não pode fazer uma proposta de entrar na Otan sem comunicar o Brasil". O candidato oposicionista lembrou que a Argentina também errou ao fazer um acordo unilateral com o México sem consultar o Brasil. Para ele, o País também não devia ter feito pacto com os andinos sem uma conversa com os argentinos. "Precisaríamos mais de institucionalização, embora eu reconheça que o Itamaraty prefira as negociações políticas", disse.
O presidente do Grupo Brasil, Eloy Rodrigues de Almeida perguntou sobre o compromisso de De la Rúa com o Mercosul. "Tenho uma profunda e duradoura amizade com o Brasil e não tenho dúvidas em afirmar categoricamente que o Mercosul é o objetivo prioritário de meu futuro governo em matéria de política externa. A integração é básica", respondeu De la Rúa.
Ele prometeu ainda que, se vencer as eleições, "o ensino de português será obrigatório nas escolas". A amizade argentino-brasileira, para o candidato, "será um ato de fé já que temos de cuidar de nossa integração". E explicou tamanho entusiasmo: "A globalização traz junto a mobilidade de capitais que passam por cima dos sistemas financeiros nacionais".
De la Rúa, em seguida, passou a palavra ao economista José Luis Machinea, provável ministro da Economia no caso de uma vitória. Sobre formas de reduzir o custo argentino, Machinea explicou que é preciso uma bateria de medidas integradas. Dentre elas citou a reforma do Estado, que dê uma maior transparência e leve a uma maior competitividade nos serviços públicos, e a reforma trabalhista. 2


