De la Rúa cresce novamente nas pesquisas
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segunda-feira, 18 de outubro de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 19 (AE) - Faltando poucos dias para as eleições presidenciais argentinas, as pesquisas indicam que cessou a recuperação que estava ocorrendo para Eduardo Duhalde, candidato do partido do governo, o partido Justicialista (conhecido também como "peronista"). Simultaneamente, a queda que estava preocupando Fernando De La Rúa, candidato da coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso, foi detida, e retomou seu crescimento.
Desta forma, segundo a Gallup, De la Rúa possuiria 43% das intenções de voto, enquanto que Duhalde teria 30%.
Na semana passada, o crescimento de 3 pontos percentuais de Duhalde havia criado expectativas entre os assessores de campanha de que o candidato peronista poderia chegar ao segundo turno. No entanto, as pesquisas indicam que essa possibilidade é cada vez mais remota.
O ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, ao contrário do que os analistas imaginavam, não caiu após um crescimento inicial, e manteve-se firme em 9%. Contente com seu crescimento, o neo-liberal Cavallo afirmou que estava conquistando eleitorado peronista: "somos os verdadeiros descamisados", categorizou. Entre o total de eleitores, os indecisos estariam em 9%.
A projeção para as eleições deste domingo indicam que De La Rúa obteria um total de 51% dos votos, enquanto que Duhalde ficaria com 35%, o que seria a pior performance peronista na História das eleições presidenciais (a pior já registrada foi em 1983, com 41,7%). Cavallo obteria 10% dos votos, transformando-se em uma nova força política, com possibilidades de ser o fiel da balança no Parlamento. A projeção da consultoria Graciela Rmer e Associados é similar: 50,2% para De La Rúa, e 37,6% para Duhalde. Cavallo ficaria com 10% dos votos.
Na província de Buenos Aires, onde a disputa pelo cargo de governador está concentrando as principais esforços dos partidos
as pesquisas indicam que existe uma paridade entre os dois principais candidatos: o peronista Carlos Ruckauf, e a aliancista Graciela Fernández Meijide, ambos com 35% dos votos. As restantes carreatas serão focalizadas nesta província, a maior e mais rica do país, que possui 37% do total de eleitores argentinos.
"Abortista, atéia e anti-cristã" foi a definição disparada por Ruckauf contra Fernández Meijide na desesperada luta dos últimos votos, argumentando que a candidata "está contra a vida". No entanto, a candidata da Aliança, que tem um filho desaparecido durante a última Ditadura Militar (1976-83), possui o apoio de setores progressistas da Igreja.
Ruckauf, que é vice-presidente do país desde 1995, foi no passado ministro do Trabalho de Isabelita Perón, e um dos que assinaram um decreto que autorizava a "aniquilação" da subversão. O decreto foi utilizado pelas forças armadas e policiais como ferramenta para a tortura e a morte de opositores políticos nos anos 70. Mais de duas décadas depois, Ruckauf fez sua campanha pedindo maior segurança, afirmando que uma das ferramentas seria a pena de morte para os delinquentes.
Analistas consideram que Ruckauf está tentando conseguir os 13% dos votos da direita, atualmente nas mãos do ex-comissário Luis Patti, candidato ao governo da província pelo partido que ele próprio criou, o "Unidade Bonaerense". Patti defende "mão dura" com criminosos. Como prefeito da cidade de Escobar, chegou a proibir beijos "cálidos" em via pública. Patti é acusado de ter sido torturador durante a Ditadura.
No entanto, as leis de anistia do fim dos anos 80, suspenderam as investigações sobre o passado de Patti.
Os ataques também estão partindo do presidente Carlos Menem, que embora não ajude Duhalde, candidato de seu partido, critica a oposição, a qual considera como "os candidatos mais corruptos da História".
Querendo indicar que a oposição é quase que totalmente constituída por políticos de Buenos Aires (com os quais o interior possui uma antiga rivalidade), Menem denomina a Aliança como "a chapa do Obelisco", referindo-se ao monumento-símbolo da capital argentina. Segundo o presidente "com eles, voltará a hiper-inflação, o desemprego e a pobreza".
Na semana passada, Menem disse aos correspondentes brasileiros em Buenos Aires que já está em campanha para as próximas eleições presidenciais. Os "ultra-menemistas", como são conhecidos seus assessores mais fanáticos, possuem milhares de cartazes armazenados para - no amanhecer do dia 25, logo após as eleições - cobrir a cidade com a foto do presidente e o slogan "Menem 2003". Irritado, Duhalde comentou: "Menem pensa mais em seu projeto pessoal do que no futuro do peronismo".
"Sentirei saudade de seu conselho e sabedoria". Com estas palavras, assinando somente "Bill", o presidente norte-americano Bill Clinton despediu-se por carta do presidente Menem.
No texto, Clinton sustenta que Menem é "um exemplo da alta qualidade de estadistas que o mundo espera da Argentina" e que se sente orgulhoso da "associação que juntos forjamos" entre os EUA e a Argentina.


