Buenos Aires, 23 (AE) - O primeiro cargo de Fernando de la Rúa foi o de presidente do CPE (Caça de Pássaros com Estilingue). Tinha somente 9 anos, mas ao tomar posse redigiu uma declaração de princípios, preparou um estatuto e uma mensalidade a ser paga pelos sócios. Esse era "el Laucha" (o Ratinho), apelido de infância de Fernando de La Rúa, nascido em 1937 na cidade de Córdoba, na região central da Argentina.
Descendente de imigrantes da Galícia, o jovem Fernando estudou direito, formando-se como o melhor da turma. Filho de um político da UCR de magnitude provincial, o jovem advogado conseguiu ser designado assessor do então presidente e conterrâneo Arturo Illía. Mas o cargo durou pouco: os militares removeram o velho presidente do posto, e De la Rúa, em vez de voltar a sua cidade, ficou na capital do país.
Além de motivos profissionais, tinha razões do coração: havia conhecido Inés, a jovem filha da tradicional família Pertiné. Os dois apaixonaram-se e casaram-se em 1970. Três anos depois, vencia a eleição para senador pela UCR por Buenos Aires. Com apenas 36 anos, foi visto como um fenômeno político, "el Kennedy argentino".
Considerado um "bebê" na política, recebeu o apelido de "Chupete" (Chupeta). O sucesso fez com que o líder histórico da UCR Ricardo Balbín o convidasse para ser seu candidato a vice, contra Perón, que os derrotou.
Durante a ditadura militar (1976-83) não colaborou na defesa dos direitos humanos, ao contrário de vários de seus correligionários. Em 1983, integrante de uma linha conservadora, disputou a candidatura do partido à presidência do país com Raúl Alfonsín, para quem perdeu. Depois, foi senador, deputado e em 1996 tornou-se o primeiro prefeito eleito da capital argentina.
Tem fama de honesto e nunca esteve envolvido em casos de corrupção, embora seu filho Antonio tenha sido acusado de usar a influência do nome do pai para passar nas provas da faculdade. Analistas consideram que o filho está formando um fechado círculo de poder ao redor do pai que poderá dar dores de cabeça aos aliados políticos do provável futuro presidente que ficarem fora dele.
A mulher de De la Rúa, Inés, é discreta e calcula-se que influenciará pouco as decisões do marido, embora tenha colaborado na imensa participação do filho na campanha eleitoral, da qual tornou- se o comandante informal.
Observar pássaros e jardinagem são as atividades que mais divertem De la Rúa. Admira Gandhi e Golda Meyer, e tem por lema "os pés na terra e o olhar nas estrelas". Seu pintor preferido é Van Gogh e seu músico, Beethoven. Ao contrário do atual presidente, torcedor do River Plate, De La Rúa é Boca Juniors. Previsível e cauteloso, é de decisões lentas e sorri pouco. Ele mesmo admitiu sua falta de carisma em uma publicidade que se transformou-se em bordão: "Dizem que sou um chato..."

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