De dentro das penitenciárias presos executam falso sequestro
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terça-feira, 06 de fevereiro de 2007
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Pelo menos um paranaense acaba caindo diariamente no golpe do sequestro virtual. A forma de agir dos estelionatários (quase sempre presidiários) é simples. Eles escolhem um número de celular, discam e convencem a pessoa que sequestraram alguém de sua família ou seu círculo de trabalho. Provocam medo e exigem depósitos em contas correntes de laranjas.
O sequestro, no entanto, nunca existiu e a vítima acaba - muitas vezes - alimentando facções criminosas que comandam o tráfico de drogas e armas de dentro dos presídios. Foi assim, que o taxista Lauro Iarenczuk, de 59 anos, acabou depositando R$ 2 mil numa conta aberta pelos criminosos numa agência da Caixa Econômica Federal.
Por volta das 15 horas, o telefone de Lauro tocou. Era a cobrar. O número do telefone não aparecia no celular. ''Eles disseram que pegaram minha filha. Perguntei qual delas. Eles não disseram o nome porque teriam pego por engano. Ela já estaria no cativeiro. A encomenda era para que eles sequestrassem a filha de um empresário de uma rede de supermercados'', relatou o taxista.
Quatro diferentes bandidos falaram com Lauro pelo telefone. ''Começaram me pedindo R$ 50 mil. Fiquei com medo porque não tinha esse dinheiro e achei que eles matariam minha filha. Baixaram para R$ 10 mil. Até que eu disse que tinha como conseguir para eles R$ 2 mil'', lembrou.
Foram quase duas horas de terror. ''Eles me apavoraram de um jeito que eu não conseguia nem pensar. Diziam que eu não podia desligar o telefone celular porque senão ela morreria. Eles me passaram o número da conta, fui em casa, peguei o dinheiro e depositei o valor. Depois, me mandaram ir a um shopping que eles libertariam minha filha lá mesmo. Fiquei em estado de choque'', contou.
Tempos depois de esperar a libertação da filha, eles voltaram a ligar. Desta vez, para agradecer. ''Eles disseram que eu era um cara bacana e que estava ajudando os presos do Presídio de Bangu, no Rio de Janeiro. Eles falaram que iriam fazer uma oferta do valor depositado para as crianças da favela. Quando desligaram, liguei para minha filha''.
Pai e filha tentaram brecar o valor depositado na CEF, mas sem sucesso. Os bandidos tinham retirado R$ 1 mil e teriam que aguardar até o dia seguinte para retirar o restante. Lauro promete fazer uma queixa no Procon. Se a CEF tivesse aceitado a queixa na Polícia Civil, teria recuperado metade do dinheiro depositado. ''Se eu tivesse que orientar o povo eu diria que jamais se deve atender um telefonema a cobrar. O número nunca é rastreado. Depois que se atende, é difícil não cair. Tenho 60 anos, conhecia esse tipo de golpe e acabei caindo. Eles apavoram tanto que é inevitável'', confessou.


