Ingressar ou recolocar-se no mercado de trabalho não é tarefa fácil. Menos ainda quando o setor escolhido pelo interessado for o mercado financeiro, como bancos e corretoras de valores. Isso porque, segundo consultores e especialistas, as exigências para a contratação são muitas e, para conquistar uma vaga, o pretendente deve ser extremamente qualificado.
A razão de tanta exigência é a sofisticação do sistema bancário ocorrida nos últimos anos, diz Denys Monteiro, vice-presidente da Financial Executive Search Associates (Fesa), empresa especializada no recrutamento e na avaliação de executivos financeiros. Monteiro explica que os bancos de varejo, principalmente, deixaram de ser simples emprestadores de dinheiro e passaram também a vender soluções financeiras a seus clientes. ''Prova disso foi o crescimento no número de produtos que passaram a ser ofertados, como os vários fundos de investimento.''
Assim, explica Monteiro, aquela história do garoto que começa como office-boy em uma agência com a expectativa de seguir carreira e tornar-se um gerente de conta, por exemplo, é cada vez mais rara. ''Hoje, as instituições estão atrás de profissionais atuantes que tenham conhecimento global de mercado, além de um perfil analítico forte.''
O diretor da Task force, empresa especializada na colocação de executivos, Gil Steinberg, afirma que, com a substituição de parte dos funcionários das instituições financeiras por máquinas, o setor passou a oferecer número menor de vagas, tornando-se ainda mais competitivo.
Steinberg ressalta ainda que, para garantir um espaço no mercado financeiro, é fundamental manter-se atualizado. ''Essa orientação serve também para aqueles já contratados, pois, como a demanda por um emprego é muito grande, eles podem ser facilmente substituídos, caso não estejam bem preparados.''
Laerte Cordeiro, diretor-presidente da consultoria em recursos humanos que leva seu nome, compartilha da opinião e vai além, ao comentar que quando se trata de cargos superiores, como o de diretores, as instituições são ainda mais seletivas em termos de qualificação. ''Nesse caso, é preciso ter vasta experiência no ramo de atividade e, muitas vezes, MBA no exterior.''
As exigências, porém, variam conforme a área de atuação pretendida pelo interessado. Os bancos, afirma Monteiro, cada vez mais investem em excelência no atendimento ao cliente. ''Dessa forma, os contratados precisam, além da experiência, ser agradáveis.''
Já para ser um operador da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), por exemplo, afirma o diretor-executivo da Manager Online - Assessoria de Recursos Humanos -, Leandro Idesis, costuma ser item obrigatório ainda, para o preenchimento da vaga, a apresentação de um comprovante dos resultados obtidos pelo candidato em outra empresa.
Um critério predominante nesse setor é a clara preferência pelos jovens profissionais. Nesse caso, porém, o perfil do candidato vai contar mais que a própria experiência. ''As grandes instituições estão dispostas a investir na formação específica dos novos funcionários e dos recém-formados'', comenta Monteiro.
É claro que, para ser recrutado e receber o incentivo da empresa, o contratado precisa ter várias qualificações. Esforçar-se para estudar em universidades de primeira linha é o primeiro passo para entrar na competição. Falar inglês fluentemente também é necessário. O espanhol é outra língua que vem sendo exigida por alguns bancos estrangeiros.
Vale lembrar que os estágios e os cursos de especialização, como pós-graduação, também têm grande peso nos currículos. Por isso, para quem ainda está na faculdade ou acabou de completar um curso universitário e pretende atuar no mercado financeiro, uma dica são os programas de trainees, na maior parte das vezes oferecidos pelas grandes instituições, diz Cordeiro. ''Essa é uma grande chance para o estudante tentar ser efetivado numa empresa de grande porte.''

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