De 98 a 2004, brasileiro consumiu sal com excesso
O brasileiro consumiu sal com excesso de iodo por um período?
Medeiros- Sim, de 1998 a 2004. E isso pode significar uma espécie de bomba de efeito retardado, com o aumento do número de tireoidites crônicas, por exemplo. Constatei num estudo feito nos últimos dois anos, na região do Grande ABC, que a incidência dessa doença está em torno de 17%. Em 1994 era de 9,1%.
Não seria melhor tirar o iodo do sal?
Medeiros - Não! Os problemas da falta de iodo são mais graves do que o excesso. O iodo é essencial para o funcionamento da tireóide. Ela capta o iodo do alimento e o transporta até uma proteína chamada tireoglobulina. Lá, são fabricados dois hormônios (T4 e T3) que agem no metabolismo. Uma grávida com alimentação carente de iodo, por exemplo, tem dificuldade para transportar a substância ao bebê a partir da 16 semana.
Outros países têm sal iodado?
Medeiros- Todos, com exceção da Dinamarca. Nos Estados Unidos e na Itália há a opção de compra do sal com ou sem iodo.
- Quais alimentos são ricos em iodo?
Medeiros- Alga marinha e frutos do mar. O ideal é consumir esses alimentos duas vezes por semana.
No seu livro, além de defender a importância do iodo, o sr. afirma que o número de casos de câncer de tireóide dobrou nos últimos 20 anos no País. Por que isso ocorreu?
Medeiros- Graças à chegada do ultra-som, na década de 90. Diferentemente do que ocorre com outros órgãos, como a mama, esse exame dá muitos detalhes na análise dos nódulos da tireóide.
Qual é o valor do auto-exame?
Medeiros - É a mesma em relação do auto-exame de mama: fundamental.
Qual é a incidência de câncer?
Medeiros- Cerca de 25 mil novos casos por ano. Hoje, ele é o 8º tipo de câncer mais comum. Na década de 80, era o 14º.
O iodo tem influência no câncer de tireóide?
Medeiros - Não. Só nas disfunções.





