Rio, 7 (AE) - O presidente da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), Jório Dauster, criticou hoje a resistência da França em negociar regime de livre comércio da União Européia com o Mercosul na Cimeira, encontro de dirigentes da América Latina, Caribe e Europa. "É surpreendente depois de todo esse trabalho de política diplomática", afirmou Dauster, ex-embaixador do Mercosul na antiga Comunidade Econômica Européia (CEE), que participou de seminário sobre o encontro, no Centro Cultural do Banco do Brasil.
Dauster alertou que, depois de a França ter vetado o início das negociações do livre comércio, na sexta-feira, será difícil reverter a decisão. "Pela minha experiência, depois que os presidentes fecham posição sobre um assunto, é difícil reabrir", avisou. O presidente da CVRD afirmou que, depois do recuo europeu, o Mercosul também deve evitar abrir o comércio sem haver reciprocidade.
"Estamos vivendo uma globalização assimétrica, nós abrimos e eles não", queixou-se Dauster. A França vetou o início das negociações para evitar a discussão sobre a política protecionista do país para a atividade agrícola. "O que me surpreende é a falta de sensibilidade política", criticou o presidente da CVRD.
Nafta - Ele avisou que os governos europeus podem ser obrigados a reabrir as suas negociações mais tarde, mas em condições desfavoráveis, caso o bloco sul-americano busque aproximação com os Estados Unidos. Dauster lembrou o caso aconteceu com o México. Inicialmente, os europeus vetaram a abertura comercial com o país mais pobre da América do Norte. Mas, depois de sua integração com os Estados Unidos, no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), a União Européia passou a buscar o livre comércio com os mexicanos. "A União Européia sabe que perdeu com o México", argumentou.
O coordenador geral da Cimeira, embaixador Luiz Augusto Castro Neves, afirmou que o veto francês não significa que o assunto esteja encerrado. "Continuam intensas as negociações entre os europeus e a posição francesa é, cada vez mais, uma posição apenas francesa", afirmou Castro Neves, secretário-adjunto do Ministério das Relações Exteriores, que também participou do seminário no CCBB.
Castro Neves informou que 13 chefes de Estado europeus já garantiram presença na Cimeira, mas não confirmou a vinda do primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Segundo o embaixador, há "rumores" de que Blair não viria porque a situação da Irlanda do Norte estaria se agravando. No entanto, a ausência ainda não foi comunicada oficialmente.

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