Data não tem mote para campanhas publicitárias
Para o setor publicitário, a virada do milênio não tem mais elementos para sustentar uma nova campanha que cative qualquer público alvo. Os cartuchos foram gastos na virada de 1999 para 2000. O mote de comunicação foi a virada, apesar dela acontecer este ano, diz Anita Barbelli, diretora de mídia da Fischer América Heads Comunicação Total. A entrada do ano 2000 foi mais importante que a virada do milênio.
Anita acha que a chegada do novo século é um tema batido. Comercialmente, o que foi explorado no ano passado já não serve mais para a virada do milênio. Se falar no assunto, vai cair no lugar-comum. Ela acredita que o mercado da propaganda não tinha como aguardar para explorar as potencialidades da nova era que se aproxima só agora. A publicitária acha que a Olimpíada de Sydney incentivou a precipitar tudo o que se viu em 1999. No entanto, Anita diz que o retorno obtido com a anunciada virada do milênio foi frustrante.
A publicitária recorda de um caso bastante conhecido para sustentar suas argumentações. Com a passagem do Cometa de Halley, em fevereiro de 1986, criou-se uma expectativa semelhante a que foi testemunhada em 1999, menciona Anita. Visualizar o cometa foi difícil na maior parte da Terra. Ele só era visto nitidamente em alguns países do leste asiático e na Austrália. Muita gente se equipou com binóculos, lunetas e fez plantão durante as madrugadas nos observatórios, mas o cometa insistiu em não aparecer.
A gerente de mídia da Get Propaganda, Rilza Cruz Silva, diz que toda a movimentação aconteceu no ano passado e não agora por causa da mística do número 2000. Rilza observa que não foram só as agências que se desinteressaram pelo assunto. O fato de ser um século novo não está mudando a nossa rotina de trabalho e nem a dos nossos clientes. Neste ano, ninguém está falando nada, não tem mais importância nenhuma, afirma. (D.V.)





