Paris, 25 (AE) - "A associação dos quatro grandes grupos franceses de aeronáutica civil e militar com a brasileira Embraer constitui um fato inédito na história da indústria de armamentos da França". A afirmação foi feita hoje, em Paris, pelo presidente da Dassualt Aviação, Serge Dassault, durante o anúncio da associação que vai permitir uma cooperação mais estreita não apenas na área civil (aviação regional e de negócios), mas extensiva à militar. Nunca esses quatro grupos efetuaram juntos uma operação dessa natureza. Na área militar, essa cooperação poderá se materializar, a médio prazo, através de projetos de aviões militares supersônicos.
Na mesma entrevista, o diretor do Banco Bozzano Simonsen
o maior acionista da Embraer, Carlos Leoni Siqueira, revelou que a empresa conta com encomendas fechadas para os próximos 10 anos estimadas em US$ 18 bilhões. Ele surpreendeu os jornalistas europeus especializados com o anúncio desses números.
As declarações foram feitas na sede da Dassault Aviação, quando da versão francesa do anúncio quase simultâneo, no Brasil e na França, da aliança estratégica da empresa com os quatro grupos franceses que vão controlar 20% do capital da empresa. Além da Dassault, representada por Serge Dassault, lá se encontravam também Jean François Bigay, da Aerospatiale-Matra, Bernard Retat, da Thomson CSF e Yves Bonnet, da Snecma.
Leoni Siqueira fez questão de chamar atenção para outros dois aspectos inéditos dessa negociação concluída com sucesso: "Pela primeira vez constatamos a existência de um parceiro estratégico que não faz parte do controle acionário. O outro é que discutimos uma possibilidade de associação, mas não discutimos nenhum projeto em detalhes, o que só será feito daqui para frente". A seu ver esse será um grande desafio, mas é preciso tentar coisas novas, pois só assim elas podem evoluir.
Já o diretor da Thomson CSF, Bernard Retat, lembrou que sua empresa já vem desenvolvendo projetos comuns com a Embraer, citando que as duas empresas foram escolhidas pelo governo grego para instalarem um sistema de controle aéreo. Serge Dassault foi quem revelou também a repartição dos 20% entre os novos sócios franceses da Embraer, 5,67 % para Dassault, Thomson-CSF e Aerospatiale-Matra e 3 % para a Snecma. Numa primeira etapa a cooperação será mais na área civil, pois a Embraer tem uma posição privilegiada na aviação regional e a Dassault exerce uma liderança na aviação de negócios, construtora do Falcon.
Perguntado se havia projeto dos sócios franceses aumentarem sua participação acionária mais para frente, Leoni Siqueira afirmou que por enquanto não se cogita: "Vamos desenvolver um esquema que possa garantir às empresas francesas a condição de parceiros estratégicos, mas mantendo o controle brasileiro". Esse é também o desejo do governo brasileiro, manifestado desde a privatização da Embraer, isto é, que o controle acionário permaneça em mãos brasileiras. Segundo Leoni Siqueira, um grupo com 20% do capital não tem necessidade de aumentar sua participação.
Um dos principais objetivos dessa associação, a médio prazo, é uma cooperação tecnológica para a construção do avião supersônico, aproveitando o know how das empresas responsáveis pela construção do Mirage e do Rafale. Como se sabe, o governo brasileiro estuda a reestruturação de sua frota e deverá se definir sobre o tipo de equipamento que pretende utilizar. Leoni Siqueira estima que o Brasil precisaria entre 60 a 150 aparelhos para reequipar a Força Aérea.

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