O governo foi surpreendido com a informação de que o fazendeiro Darly Alves da Silva, condenado a 19 anos de prisão como mandante da morte do sindicalista Chico Mendes, poderá ficar em liberdade nos próximos dias, já que é um dos presos que requereram indulto natalino este ano. ‘‘Ele não tem condição de voltar ao convívio social’’, protestou o ministro da Justiça, Renan Calheiros, prometendo até mesmo pedir ao presidente Fernando Henrique Cardoso que revogue o decreto do indulto, caso haja possibilidades técnicas para Darly Silva ficar em liberdade.
O temor do governo é com a repercussão internacional que o caso terá, se o fazendeiro ficar livre no mesmo ano em que completa- se dez anos da morte de Chico Mendes. ‘‘Sou contra a liberdade e não permitirei, em hipótese nenhuma, que ele (Darly) fique solto’’, afirmou Calheiros. ‘‘Ele é um matador frio, calculista e covarde’’, acrescrentou o ministro.
Calheiros levou o assunto até o presidente Fernando Henrique Cardoso, na manhã de ontem, antes de viajar para Alagoas, onde foi acompanhar os funerais da deputada federal Ceci Cunha (PSDB), assassinada em sua casa.
Teoricamente o governo federal não tem como evitar a liberdade de Darly Silva, já que a decisão depende do juiz da Vara de Execuções do Distrito Federal, Everardo Alves Ribeiro. Pelo decreto presidencial nº 2.838, de 6 de novembro deste ano, o fazendeiro teria condições de ser beneficiado com o indulto. O inciso dois do parágrafo 1º diz que é concedido o indulto ao preso com pena maior que seis anos que tenha completado 60 anos até o dia 25 de dezembro, desde que tenha cumprido um terço da pena. Nos dois casos, a lei beneficia o mandante da morte de Chico Mendes.
‘‘Este indulto não pode passar’’, afirma Calheiros, ressaltando que a decisão é do juiz da Vara de Execuções. ‘‘Mas estou seguro de que ele vai avaliar muito bem o problema’’, observou o ministro.

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