Darci Frigo diz que cúpula quer amenizar assassinato
O advogado Darci Frigo, coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), disse ontem que irá lutar juridicamente para evitar que a Polícia Militar tente mudar os fatos ocorridos na BR-277. É perigoso que em vez do cachorro morder os sem-terra durante o conflito, apareçam sem-terra que tenham mordido os cachorros dentro do inquérito policial militar, afirmou Frigo.
Segundo o advogado, a cúpula da polícia está tentando se isentar da responsabilidade pela morte do agricultor Antonio Tavares Pereira. Não tem como aliviar a pena do soldado. Teve uma morte. E ele mesmo confessa que deu dois tiros para o chão, o que comprova que foi ele, argumentou Frigo.
No final de semana, foram traçados os principais passos jurídicos que deverão ser dados nos próximos dias. O primeiro deles será o encaminhamento de uma notícia-crime ao Ministério Público Federal contra as autoridades que comandaram a operação do secretário da Segurança, José Tavares, até o comandante do conflito. Também será encaminhada à Assembléia Legislativa outra notícia-crime contra o governador Jaime Lerner. Todos tiveram participação no resultado do confronto, que foi a lesão corporal de dezenas de pessoas e a morte de um sem-terra, salientou.
A CPT ainda entrará com uma ação indenizatória na Justiça contra o Estado por parte da viúva Maria Sebastiana Pereira e outra ação de reparação de danos aos sem-terra que sofreram lesões corporais. No Ministério Público já foi protocolado um pedido para que o inquérito policial civil, feito pela Delegacia de Homicídios, seja acompanhado pelos promotores; que o plano de operações da Polícia Militar seja arquivado no processo; a relação dos policiais e armas usadas durante o confronto, e a tomada de providências para a identificação de todos os responsáveis pelo conflito. (L.P.)





