São Paulo, 26 (AE) - O governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira (PSDB), disse hoje que praticará a guerra fiscal, enquanto não forem modificadas as regras do jogo. "Não estou a fim de ver os Estados ricos, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, enriquecerem cada vez mais e não fazer nada pelo meu; não queremos ser eternamente emergentes", declarou. Ele informou ter manifestado esta posição ao governador de São Paulo
Mário Covas (PSDB), durante encontro que tiveram a semana passada, para quem também especificou o interesse pelas indústrias dos setores agrícola, moveleiro e têxtil.
Segundo o governador do Mato Grosso, a reforma tributária é fundamental para acabar com a guerra fiscal entre os Estados, posição endossada por Covas. "Ambos concordamos que a reforma tributária deverá criar instrumentos para a verdadeira descentralização da economia nacional; a União deve ser o grande árbitro deste jogo", disse Oliveira.
Para o governador, cabe ao governo federal valorizar, por meio de uma tributação equilibrada, a "vocação econômica" de cada Estado, sem violentar a soberania. "Enquanto isso não acontece, todo mundo tem razão de lutar com todas as armas para valorizar o que é seu; nesse contexto, Bahia, São Paulo, Rio Grande do Sul estão certos em seus incentivos fiscais", disse Oliveira.
Oliveira informou que pretende dar continuidade ao programa de visitas a outros Estados para divulgar a potencialidade do Mato Grosso, principalmente no setor agro-industrial. "Não tenho o objetivo de sair tirando indústria daqui e dali, quero, sobretudo, difundir nosso potencial", declarou.
O governador do Mato Grosso ainda disse que recuperou todo o investimento em incentivos às indústrias do Estado feito nos últimos três anos e destacou a produção do algodão. "Em 97
tínhamos 28 algodoeiras que geravam 12 mil empregos; no ano passado, chegamos a 106 algodoeiras, com 48 mil empregos; de 97 a 99, nosso País deixou de importar R$ 300 milhões em algodão, e Mato Grosso assumiu 43% de sua produção nacional; de 99 a 2000, fomos responsáveis por 48% da produção do País, sendo que, de 96 a 97, o Brasil importou R$ 1 bilhão de algodão; eu pergunto-me, quanto a União nos vai dar por isso?"
O governador analisou que, segundo os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pesquisados entre 1985 e 1997, o Mato Grosso foi o segundo Estado que mais cresceu economicamente no Brasil, perdendo apenas para o Amazonas, cujo potencial está praticamente concentrado na Zona Franca de Manaus. "Apesar dos números econômicos do Mato Grosso serem animadores, não suportaríamos muito tempo uma guerra fiscal desde o ponto de vista financeiro", declarou.

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