São Paulo- O julgamento de Suzane Richthofen e dos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, réus confessos do assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen, pais da jovem -em outubro de 2002-, começou ontem com o depoimento surpreendente de Daniel, primeiro a ser ouvido.
Em duas horas, o ex-namorado de Suzane, voz aguda, trajando moletom branco, calça jeans e tênis azul destrinchou uma tese original: a de que seu irmão, Cristian, não teve participação alguma na consecução do duplo homicídio. Em depoimento anterior e na reconstituição do crime, Daniel aparecia como quem desferiu os golpes de barras de ferro em Manfred, a Cristian cabendo a execução de Marísia.
Ontem, diferentemente, Daniel disse que Cristian, em vez de golpear Marísia, ficou paralisado. E que ele mesmo, após matar Manfred, teve de correr para atacar Marísia, que começava a se mexer na cama em que dormia no andar superior do amplo sobrado da família Richthofen. Depois, afirmou Daniel, ele colocou uma toalha sobre o rosto dela, ajoelhou-se e começou ''a orar''
O rapaz sustentou a nova tese mesmo ao ser confrontado pelo promotor de Justiça Nadir de Campos Júnior, que mostrou uma foto em que se podia ver uma toalha enfiada na boca de Marisia. Segundo o laudo necroscópico, essa toalha causou na mulher ''morte por asfixia''.
O júri ocorre três anos, oito meses e 17 dias após o crime. Suzane e Cristian não acompanharam o depoimento de Daniel.
Segundo Daniel, a autoria intelectual do crime é de Suzane, a quem namorava à época. O rapaz disse que ela era frequentemente agredida pelos pais ''verbal e fisicamente''. Disse ainda que ela reclamava que o pai tentava ''tocar em suas partes íntimas'' nos ataques.

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