Daniel Filho recupera poder e assume Central Globo de Criação
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Sônia Apolinário 
Rio, 10 (AE) - Cerca de quatro anos após seu retorno à Rede Globo, Daniel Filho recuperou o poder que já exercera na própria emissora. Até o final do mês, ele - que atualmente é um dos três diretores de criação da empresa - se tornará o diretor da Central Globo de Criação (CGC), cargo que vinha sendo exercido por Mário Lúcio Vaz. A decisão foi anunciada pela superintendente executiva da Globo, Marluce Dias da Silva, aos diretores de núcleo da emissora, na segunda-feira, durante uma reunião no Projac onde também se discutiu a grade de programação para este ano.
Durante oito anos, até julho de 1991, Daniel Filho foi o diretor da Central Globo de Produção. Era o segundo da hierarquia da emissora, logo abaixo de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, então vice-presidente de Operações. Agora, voltará a ser o segundo, abaixo apenas de Marluce.
Como diretor da Central, coordenará um Conselho de Criação do qual farão parte Roberto Talma e Carlos Manga, os outros dois diretores de criação da emissora. Na prática, essa estrutura apenas oficializa um processo de trabalho que vinha acontecendo desde fevereiro do ano passado quando os diretores de criação foram nomeados - Roberto Talma entrou para o grupo com a morte de Paulo Ubiratan, em março do ano passado. Cada um deles ficou responsável por uma faixa da programação, mas ninguém dava um passo sem que Daniel Filho deliberasse sobre um produto.
Agora, o conselho discutirá a programação e Daniel Filho é quem ficará encarregado de levar as decisões para Marluce. Dessa forma, a superintendente executiva acredita que será simplificado o processo de produção de programas. A ordem é transformar boas idéias em pilotos. As futuras atrações ficarão na prateleira até que a direção de programação decida pelo melhor momento de exibição.
A estratégia da Globo é lançar programas ao longo de todo o ano, como fez pela primeira vez no ano passado e evitar reprises durante as férias. Com a saída de Daniel Filho da emissora, em 91, Mário Lúcio Vaz ocupou seu lugar. Mas logo a CGP foi desmembrada entre Central Globo de Criação e de Produção. Vaz ficou com a Criação e Manuel Martins com a Produção. Agora, Vaz assumirá a Central Globo de Controle de Qualidade.
Esse controle já era feito como uma assessoria da CGC. O próprio Carlos Manga já ocupou o posto antes de voltar a dirigir programas. Foi sucessor de Herval Rossano, Maurício Shermam e Borjalo. Independente - Depois que saiu da Globo, Daniel Filho atuou por quatro anos como produtor independente. Naquela época, fez "mea culpa" ao admitir que ajudou a criar uma estrutura na Globo que não previa espaço para aquele tipo de atuação. Quando deixou a emissora, afirmou que a Globo precisava se renovar e que isso implicava em trabalhar com novas pessoas.


