Cachoeirinha, RS, 14 (AE) - A Dana inaugurou hoje, no município de Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto Alegre, sua segunda operação brasileira para o segmento de veículos fora-de-estrada ("off-highway"). A unidade, que começou a funcionar em escala reduzida em agosto, exigiu um investimento de US$ 5,8 milhões em ativos fixos e deve atingir um faturamento de US$ 15 milhões no ano que vem e de US$ 35 milhões em 2002.
Segundo o gerente-geral da divisão Fora-de-Estrada da Dana na América do Sul, Paulo Granja, as vendas da unidade serão inicialmente direcionadas para o mercado interno. No médio prazo a empresa pretende desenvolver produtos específicos para exportação aos Estados Unidos e Europa. No Brasil, os clientes já acertados incluem a SLC-John Deere, Valtra-Valmet, Case, New Holland, Volvo, Fiat Allis e Catterpillar, entre outros.
Construída junto à fábrica Dana-Albarus, que fornece componentes hidráulicos para o mesmo segmento de veículos (como tratores, colheitadeiras, retroescavadeiras, motoniveladoras e empilhadeiras), a nova unidade produz eixos tracionados e não-tracionados e transmissões powershift (sem pedal de embreagem). "No futuro poderemos acrescentar novos produtos ou substituir importações que ficaram mais caras após a desvalorização do real", comentou o presidente da Dana para a América do Sul, Hugo Ferreira.
Abastecida por um conjunto de 50 fornecedores, a maior parte do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo, a nova planta da Dana, denominada Divisão Spicer Sistemas Fora-de-Estrada, tem capacidade instalada para montar 21 mil eixos e 11 mil transmissões por ano, explicou Granja. Este volume, de acordo com ele, é entre 25% e 30% superior à demanda desses produtos no País.
No ano que vem, conforme o gerente, a unidade deverá operar entre 20% e 25% de sua capacidade. Mesmo assim, a construção, de 3,6 mil metros quadrados, segue um sistema modular e pode ser ampliada ainda em 2,7 mil metros quadrados se necessário. Na primeira etapa serão gerados oito empregos diretos, número que poderá alcançar 40 em 2000.
O executivo admitiu que os principais setores que utilizam veículos especiais, como agricultura e construção pesada, são "muito sensíveis" a políticas de governo. Mesmo assim, acredita que as perspectivas de mercado no Brasil são "boas", especialmente devido à grande necessidade de obras viárias no País. Além disso, grandes empresas, como a SLC-John Deere e a Case, têm planos para inaugurar unidades importantes nas próximas semanas, comentou.
Com a nova unidade em Cachoeirinha, a Dana quer elevar a participação do segmento "off-highway" para pelo menos 7% do faturamento do grupo no Brasil, o mesmo índice registrado em âmbito global, num prazo de cinco a dez anos. Atualmente este percentual é de apenas 3%. O mercado de caminhões leves e pesados responde por 40%, o automobilístico por 23%. O setor de distribuição, representado basicamente pelas peças de reposição para automóveis, corresponde aos 34% restantes e a intenção da empresa é elevar este índice para 50% no médio prazo.
Além da construção de fábricas próprias, a Dana tem baseado seu crescimento em uma agressiva estratégia de aquisições para ampliar sua atuação no setor automotivo. No ano passado ela comprou a fabricante de amortecedores Nakata, no Brasil, e a norte-americana Echlin (fabricante de mangueiras e bombas).
Segundo o diretor de marketing no Brasil, Luciano Pires, a empresa está estudando, ainda este ano, a aquisição de um fabricante nacional de filtros para automóveis com o objetivo de ampliar sua atuação no segmento. De acordo com ele, a empresa completará no ano que vem um volume de investimentos de US$ 453 milhões no País, a contar de 1994, sendo US$ 194 milhões em aquisições.
Atualmente a Dana produz 17 linhas de produtos (eram seis em 1994) em 21 fábricas no Brasil. Elas incluem filtros, equipamentos de controle de emissões, ignição e combustíveis, juntas e retentores, componentes internos para motores, sistemas de suspensões, cardans, freios, carburadores, juntas homocinéticas, transmissões e diferenciais. Conforme Pires, a projeção de faturamento no País para este ano é de US$ 495 milhões, alcançando US$ 691 milhões em 2001. Operando em 32 países e com 86 mil funcionários, a Dana Corporation teve uma receita global de US$ 12,5 bilhões em 1998.

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