Londres, 26 (Ae-REUTERS) - A ex-primeira-ministra da Grã-Bretanha, baronesa Margaret Thatcher, visitou hoje (26) o ex-ditador chileno Augusto Pinochet. Expressando sua "total admiração", a "dama de ferro", como é conhecida, agradeceu o apoio do general durante a Guerra das Malvinas (1982) e elogiou seu papel por "devolver a democracia" ao Chile.
"Eu sei o quanto devemos a você por sua ajuda durante a campanha nas Falklands (como os ingleses chamam as Ilhas Malvinas)", disse a baronesa, de 73 anos, a Pinochet, referindo-se à guerra travada entre Grã-Bretanha e Argentina quando ela estava no poder.
A "dama de ferro" reuniu-se com com Pinochet em uma mansão em Wentworth Estate, 20 km a sudeste de Londres, onde o ex-ditador permanece sob guarda policial.
A televisão britânica transmitiu ao vivo as imagens do encontro. Esta é a primeira aparição pública desde que ele compareceu à corte há três meses.
Pinochet, que foi levado ao tribunal em dezembro numa cadeira de rodas, desta vez estava sentado em uma poltrona e apoiando-se em uma bengala. Emocionado, ele disse à Thatcher: "Esta casa é pequena, mas está cheia de amor e gratidão por você. Esta é apenas uma pequena maneira de agradecê-la por sua gentileza".
Thatcher respondeu: "Estou contente por ver que está confortável aqui. Sei o quanto lhe devemos por sua ajuda durante a campanha nas Falklands. Também sinto-me muito satisfeita por ter sido o senhor quem levou a democracia ao Chile, quem aprovou uma Constituição adequada com a democracia".
Sobre as Malvinas, a baronesa afirmou, sem concluir: "A informação que você nos deu, as comunicações e também o refúgio que você assegurou para nossas forças armadas, que poderiam partir para o Chile caso sofressem qualquer dano..."
Após a visita, a "dama de ferro" fez um apelo veemente contra a extradição de Pinochet para a Espanha. "Se houvesse motivo para julgamento, ele deveria ser realizado pelo povo do Chile nas cortes do Chile, e não aqui".
O juiz espanhou Baltazar Garzón quer que Pinochet, que está com 83 anos, seja julgado na Espanha sob acusações de crime contra a humanidade, pelos abusos cometidos ao longo dos 17 anos em que liderou a ditadura militar iniciada após o sangrento golpe contra o presidente Salvador Allende, em 1973.
Na quarta-feira, a Câmara dos Lordes, a máxima instância de Justiça da Grã-Bretanha, determinou que Pinochet não tem direito à imunidade como ex-chefe de Estado, o que abre caminho para o processo de sua extradição, mas estabeleu também que ele deve ser julgado apenas pelos crimes supostamente cometidos a partir de 1988.
Segundo um relatório relatório do governo chileno, 3.197 pessoas foram mortas ou desapareceram nas mãos da polícia secreta de Pinochet durante a ditadura.

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