São Paulo, 27 (AE) - Depois de ficar 12 dias afastado do cargo por determinação da Justiça, o diretor-presidente da Fundação Pró-Sangue, Dalton Chamone, retomou esta semana suas funções. Em decisão dada sexta-feira, a desembargadora Sallete Nascimento, do Tribunal Regional Federal (TRF), concedeu a Chamone e ao diretor Paulo Cabral o direito de retomar à fundação. Já na segunda-feira Chamone voltou a ocupar sua sala de trabalho.
Acusado de enriquecimento ilícito e de contratar serviços superfaturados, Chamone havia sido afastado por uma liminar concedida pela juíza da 14.ª Vara da Justiça Federal, Regina Helena Costa, a pedido do Ministério Público Federal. Segundo os argumentos usados na época pelo promotor da República Marlon Weichert, o afastamento da diretoria era indispensável para poder instruir um processo, em curso contra a diretoria da fundação. "Parte dos funcionários tem medo de dar declarações"
afirmava na época o promotor.
O Ministério Público Federal ingressou com uma ação civil pública contra a diretoria da Fundação Pró-Sangue, depois de investigar, por mais de um ano, as relações entre a fundação e entidades particulares. Na ação civil pública, Chamone e os demais diretores são acusados de uso indevido da Fundação Pró-Sangue para atendimento de clientes privados, em prejuízo dos pacientes do Sisitema Único de Saúde. Mas essa não é a única acusação. Na lista, o Ministério aponta mais sete irregularidades e pede que a diretoria pague R$ 19,8 milhões como reparação de danos. Derrota dupla - A decisão do Tribunal Regional Federal representa para o Ministério Público Federal a segunda derrota no caso. Em uma primeira etapa, o MP havia alcançado duas decisões favoráveis: o afastamento da diretoria e o impedimento da fundação de repassar seus recursos para o pagamento de funcionários da Fundação do Sangue, uma entidade particular criada para assessorar a Fundação Pró-Sangue. Esse impedimento, no entanto, também foi suspenso pela Justiça.
"Agora tudo volta a ser como era antes", explica o assessor da diretoria da Fundação Pró-Sangue, o advogado Otávio Augusto de Almeida Toledo. Chamone foi procurado pela reportagem
mas não quis dar entrevista.

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