D'Alema deverá apresentar renúncia amanhã
Roma, 18 (AE-AP) - Como consequência da humilhante derrota eleitoral para os conservadores de Silvio Berlusconi nas eleições regionais de domingo e sob pressão de membros de sua própria coalizão, o primeiro-ministro italiano, o ex-comunista Massimo DAlema, deverá apresentar amanhã (19), durante pronunciamento no Parlamento, pedido "irrevogável" de renúncia
informaram hoje fontes parlamentares. Isso significa que ele não vai submeter seu governo a um voto de confiança, como lhe recomendou na segunda-feira o presidente Carlo Azeglio Ciampi. Antes de jogar a toalha, DAlema fará uma detalhada exposição de motivos, acreditam analistas de política dos principais jornais do país.
Diante da "catástrofe eleitoral", o primeiro-ministro havia procurado o presidente Carlo Azeglio Ciampi com o propósito de renunciar pondo fim a uma administração de centro-esquerda de 18 meses.
O governo dispõe de maioria muito apertada no plenário. Além disso, há lutas internas dentro da coalizão. Muito de seus dirigentes estão descontentes com a forma como o primeiro-ministro conduz a questão das reformas constitucionais exigidas pelo país. "Nosso próximo candidato ao cargo de primeiro-ministro deverá ser uma pessoa capaz de captar os votos do centro e estou convencido de que DAlema contribuirá para que encontremos alguém", disse o ex-prefeito de Nápoles Antonio Bussolino - que ganhou as eleições para governador de Campânia, como o candidato mais votado das esquerdas.
O Partido Verde, integrante da coalizão, saiu na frente indicando Giuliano Amato, um socialista que já chefiou o governo italiano e atualmente ocupa o Ministério do Tesouro. Atribui-se a ele, na Itália e no Exterior, o mérito de ter saneado as finanças do país ao conter o enorme déficit fiscal.
Outros prováveis candidatos, segundo a imprensa italiana, são Lamberto Dini, atual ministro das Relações Exteriores, o presidente do Senado, Nicola Mancino, o economista Mario Monti, com relevantes trabalhos na União Européia, Antonio Fazio, presidente do Banco da Itália, e Francisco Rutelli, prefeito de Roma. A indicação do primeiro-ministro é competência do presidente da república.
Um forte indício de que DAlema deve renunciar, segundo os analistas, está numa decisão de Ciampi de cancelar todos os encontros previstos para amanhã em sua agenda, dando prioridade para uma eventual reunião com o primeiro-ministro. O presidente é contrário à dissolução do Parlamento e convocação antecipadas das eleições gerais (programadas para abril de 2001) - medida exigida por Berlusconi.





